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13/12/2019 - C&A tenta lançar seu cartão, mas precisa de aval do Bradesco

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VALOR ECONÔMICO

Por: Adriana Mattos

 

A rede C&A negocia com a Bradescard, do grupo Bradesco, um acordo para tentar lançar um cartão próprio digital de forma independente, apurou o Valor. Para que esse projeto avance, a varejista precisa do aval do banco, que já é parceiro da rede.

A varejista estaria insatisfeita com a política de concessão de crédito, muito cautelosa, da Bradescard, por isso informou o banco que quer lançar um novo cartão próprio. As negociações estão em andamento e ainda não há sinalização clara de que haverá acordo, diz uma fonte. A ideia da rede é ter a questão resolvida até o primeiro trimestre de 2020.

A C&A fechou em 2009 uma parceria de exclusividade com a Bradescard, responsável pela emissão, definição de limites de crédito, de taxas de juros etc. Pelo acordo, a instituição tem o direito de aprovar ou barrar qualquer novo produto financeiro da C&A.

Caso o Bradesco não dê o sinal verde, a varejista tem a opção de recomprar toda a operação de serviços financeiros, pagando um multa definida no contrato - o que exigiria desembolso de caixa da rede no curto prazo.

O valor da multa é definido por aspectos como prazo do contrato, e só foi transcorrida a metade do prazo do contrato, de 20 anos. Na oferta pública inicial de ações da varejista, ocorrida em outubro, 90% do valor captado teria que pagar empréstimos que a C&A Brasil tomou do grupo Cofra, seu controlador. Em setembro, essa dívida somava cerca de R$ 800 milhões.

Para ficar com o direito de exclusividade de explorar a área de serviços financeiros da C&A por 20 anos, o Bradesco comprou, em 2009, o banco Ibi, braço financeiro da varejista, por R$ 1,4 bilhão.

Caso as partes entrem num acordo, o plano da C&A é lançar o cartão digital, que oferecerá empréstimos pelo site e aplicativo, ainda no primeiro semestre de 2020, diz uma segunda fonte.

Esse aspecto é fundamental dentro da atual estratégia da companhia. Inclusive, durante reuniões com investidores semanas antes do IPO da rede, o comando da C&A disse a gestores que a empresa precisa ampliar a taxa de financiamento de suas vendas, que está em níveis muito abaixo do registrado por todas as suas rivais diretas - Renner, Riachuelo e Pernambucanas.

Cerca de 22% das vendas da C&A ocorrem pelo cartão da Bradescard. Na Renner, a participação do cartão é de 44%; na Riachuelo, de 45% e na Pernambucanas, de 46%, segundo relatório da área de análise do BTG Pactual. Essas empresas registram montante de ganho financeiro maior do que a C&A neste braço e tem autorização para operar como financeira.

Além disso, essas redes não negociaram a sua área financeira com bancos parceiros, portanto, tem autonomia para gerir a operação e determinar o ritmo de concessão de crédito. A receita com comissão de vendas de serviços financeiros na C&A caiu 8% até setembro, para R$ 150 milhões - para uma rede com vendas anuais de R$ 5 bilhões, segundo balanço. Na Renner, o montante subiu 16%.

Nos bastidores da empresa, a informação é que a decisão de criar um novo produto por parte da C&A é uma reação à própria postura da Bradescard em relação à política de crédito adotada aos clientes da rede.

A C&A estaria incomodada com o fato de que a Bradescard ainda manter liberação de crédito restritiva, mesmo com a melhora no ritmo de recuperação econômica.

No prospecto do IPO, a rede alerta que a Bradescard pode “impor regras que restringem a concessão de crédito afetando de maneira adversa os negócios e estratégia de expansão”.

Na empresa do Bradesco, há uma cautela maior frente ao risco de alta no calote de clientes, que já teria sido identificado em outras redes do setor. A provisão para perda de crédito na C&A foi de R$ 19 milhões em setembro, versus R$ 17,2 milhões um ano antes.

No contrato, há um acordo de divisão de lucros iguais entre a rede e a empresa de cartões em cada transação. E a C&A recebe um valor de comissão que entra em sua receita líquida.

O Bradesco informou que não comenta questões contratuais com parceiros comerciais. A C&A confirmou que mantém conversas com a parceira financeira para desenvolver oportunidades para melhorar a experiência dos clientes.

 

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