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27/01/2014 - Novatas em cartão saem da internet para o varejo físico

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Por Felipe Marques | De São Paulo
 
Adriana Araújo, dona da loja de acessórios femininos Villa Bijoux, sabe que não se conquista a preferência da clientela só sentada atrás do balcão. Mas, toda vez que fazia um "chá de joias" ou um "clube da Luluzinha" para atiçar a vaidade feminina, era obrigada a recusar quem quisesse pagar com cartão. "Eu tenho uma máquina na loja, mas ela é com fio. Fui atrás de uma sem fio, mas o aluguel mensal chegava a R$ 100", conta. A solução foi comprar um leitor de cartão, que acoplado ao celular o transforma em uma máquina POS (Point of Sales, na sigla em inglês) e permite que capture o pagamento eletrônico. "Em menos de dois dias já estava funcionando. E sem aluguel."
 
A tecnologia da Villa Bijoux veio da Payleven, empresa de pagamentos do grupo da Dafiti e do Groupon. A Payleven, assim como PagPop, Moip, PagSeguro (do grupo Uol) e a PayPal são alguns dos nomes que compõem o universo dos chamados "facilitadores de pagamento", alternativa para o varejo às credenciadoras tradicionais na hora de aceitar compras com cartão.
 
Os facilitadores vêm tentando avançar nas brechas deixadas pelas grandes credenciadoras. Foi assim que eles ganharam espaço no comércio eletrônico, onde empresas como a PagSeguro e a PayPal começaram suas operações. Seu apelo era assumir os riscos de fraude, que na compra online fica sob responsabilidade das varejistas.
 
Hoje, tentam conquistar espaço entre pequenos lojistas fora do universo digital, usando os leitores acoplados a celulares e tablets como principal estratégia. O lojista que usa o leitor costuma pagar uma taxa única para comprá-lo, sem ter que arcar com um aluguel mensal. Os facilitadores prometem mais agilidade ao filiar lojistas e taxas competitiva em relação às cobradas pelas credenciadoras nesse nicho. A principal crítica, contudo, é que o leitor aumenta a chance de fraudes na compra.
 
O movimento dos facilitadores não passou em branco. As três principais credenciadoras, Cielo, Redecard e Santander, lançaram leitores que possibilitam a captura de cartões via celular. Também flexibilizaram seu modelo de negócio para se aproximar do pequeno varejo e tomar parte do terreno perdido para os facilitadores.
 
"Quando começamos a atuar no e-commerce, em 2006, era um mercado que poucos tinham interesse pelo risco de fraude que trazia. Hoje, o comércio eletrônico já é grande o suficiente para não ser deixado de lado", afirma o diretor-geral do UOL, que controla a PagSeguro, Marcelo Epstejn.
 
O executivo traça um paralelo entre o que houve no e-commerce e o que os facilitadores têm feito com pequenos lojistas. A PagSeguro lançou um leitor, que está vendendo em lojas do Carrefour. Em junho, contava com 300 mil estabelecimentos "credenciados", contando varejo tradicional e o comércio eletrônico.
 
A Payleven defende que, mesmo com a concorrência de grandes bancos, a flexibilidade e a agilidade são atributos para conquistar os pequenos lojistas. Segundo Adriana Barbosa, presidente da Payleven, a empresa criou, por exemplo, um modelo específico para taxistas. "Percebemos que esse é um segmento que tem muita necessidade de recurso em caixa. O que fazemos é antecipar os recursos no fim de cada semana e transformar a taxa percentual cobrada por transação em uma taxa fixa mensal", relata, afirmando que o arranjo foi costurado com ajuda dos próprios taxistas. A Payleven tem 18 mil clientes cadastrados e quer dobrar essa base em seis meses.
 
Embora não existam números oficiais sobre o segmento, estimativas de mercado dão conta de que os facilitadores têm cerca de 20% das transações de comércio eletrônico no Brasil, que em 2012 totalizaram R$ 24,12 bilhões, segundo associação do setor.
 
A filial brasileira da PayPal também vem estudando como migrar do mundo eletrônico para o varejo físico. A empresa calcula estar em lojas que representam cerca de 40% do comércio eletrônico brasileiro, em volume financeiro. Além de pequenos estabelecimentos, está presente em grandes redes, como Casas Bahia e Ponto Frio.
 
"Temos visto muitos lojistas físicos reclamando que viraram uma vitrine para a internet. O cliente olha o produto na loja, pesquisa onde é vendido mais barato e vai embora", afirma Mario Mello, diretor geral da empresa na América Latina. "Queremos encontrar uma maneira de fazer com que ele volte a comprar na loja física, fazendo ofertas via celular quando ele entrar na loja, por exemplo."
 
A fraude, porém, é um ponto sensível na empreitada dos facilitadores no mundo físico. Exceto pela Cielo e Payleven, que oferecem leitores de chip do cartão, a maior parte por enquanto só tem equipamento que faz a leitura da tarja magnética do cartão. É algo que vai na contramão do que foi feito na indústria nos últimos seis anos. Segundo o Banco Central, no fim de 2012, no cartão de crédito, as transações com chip eram 73,8% do total. No começo de 2006, eram 3,9%. Na raiz desse movimento está o combate promovido pelo sistema financeiro à clonagem de cartões, facilitada pela tarja.
 
Com cerca de 60 mil clientes, a PagPop foi criada por um dentista e aposta em revendedores de cosméticos como principais clientes. "É um mercado sub-atendido que vê na aceitação de cartões uma forma de reduzir o calote", afirma.
 

 

Fonte: Valor Econômico

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