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24/10/2019 - Apesar de sair, Visa não ‘fechou as portas’ para libra

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VALOR

Por: Flávia Furlan

 

A Visa, bandeira americana de cartões, tem dado sinais de que não fechou todas as portas ao projeto de criptomoeda global libra, originado no Facebook, a despeito de ter anunciado a saída neste momento da iniciativa em meio a questionamentos sobre a garantia da privacidade dos potenciais usuários e da segurança ao sistema financeiro.

A tensão a respeito do tema é tamanha que ontem o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, foi ao Congresso dos Estados Unidos para falar da criptomoeda libra e da carteira digital Calibra, com o desafio de mostrar que é possível ter um sistema global de transferência de valores seguro e que atenda aos requisitos dos reguladores.

“Como uma companhia curiosa e aberta - e dada a liderança que temos no ecossistema de pagamentos - queremos nos engajar em tudo no espaço de pagamentos, até atingirmos um ponto em que acreditamos que nosso engajamento não está sendo positivo”, disse Alfred F. Kelly, presidente da Visa, em entrevista ao Valor. Em comunicado oficial após a saída momentânea do projeto, a Visa disse que espera ainda explorar outras oportunidades de ingressar na iniciativa, à medida que houver mais evolução das discussões.

Anunciado em junho pelo Facebook, o projeto da Associação Libra contava com 28 membros fundadores responsáveis pela moeda. Neste mês, no entanto, gigantes do universo dos pagamentos, entre eles PayPal, Mastercard e a própria Visa recuaram do projeto após reguladores e políticos terem advertido que uma moeda digital mundial para as massas poderia representar uma ameaça ao sistema financeiro global.

De acordo com Kelly, há muitas coisas a se descobrir sobre a libra, com uma curva de aprendizado muito longa. O mais importante, contudo, é que ela esteja alinhada ao que os reguladores vierem a exigir. Ao Valor, ele afirmou que a Associação Libra discutia como sua governança iria funcionar, bem como quais princípios iria seguir. Embora tenha sido um projeto inicialmente construído no âmbito do Facebook, a libra será automaticamente independente, com um corpo de diretores específico, segundo Kelly.

No anúncio do projeto, o Facebook havia dito que o lançamento seria feito em 2020. No entanto, Kelly afirmou que esse tipo de iniciativa não deve ser feita na “correria”, ou então a qualidade poderia ser sacrificada, algo muito importante para iniciativas tão disruptivas.

A libra tem sido apontada como um exemplo de tentativa de trazer mais inovação com um olhar às pessoas não bancarizadas ao redor do mundo, um total de 1,7 bilhão de pessoas - 45 milhões delas no Brasil - que estão fora do sistema financeiro tradicional. “Nas conversas que tivemos com o pessoal do Facebook, tentamos criar algo que poderia trazer essas pessoas mais rapidamente ao sistema”, afirmou Kelly.

A Visa diz que ainda mantém discussões com a Associação Libra, devido ao fato de acreditar que as redes baseadas em “blockchain” bem regulamentadas e que as moedas digitais podem levar pagamentos seguros a mais pessoas e lugares.

 

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