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28/08/2019 - Cielo avança em serviços bancários com aplicativo para empreendedores

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VALOR 

Por: Flávia Furlan 

A credenciadora Cielo lançou um aplicativo com conta e carteira digital focado em empreendedores, público que a empresa tem atacado mais fortemente, diante do aumento da concorrência. Esse é mais um passo para a Cielo oferecer serviços bancários a vendedores e seus clientes, estratégia questionada por analistas, já que a companhia é controlada por dois grandes bancos — Bradesco e Banco do Brasil.

“A gente não atuava com empreendedores no passado e, em setembro, a Cielo deve comemorar a venda de 1 milhão de máquinas. Entramos de forma agressiva nesse segmento, e assim devemos continuar”, disse Paulo Caffarelli, presidente da Cielo.

Na companhia, empreendedores são considerados os clientes com faturamento anual até R$ 240 mil, que crescem 40% ao ano em volume de transações, enquanto o restante do mercado tem um ritmo de 17%. A estratégia mais agressiva da Cielo, que colocou a rentabilidade em segundo plano, fez a empresa elevar a fatia de mercado. Segundo a própria empresa, ela passou de 41,8% do volume capturado de janeiro a março, para 42,3% de abril a junho.

Disponível a partir de 14 de outubro, o aplicativo Cielo Pay entra em testes para os 3 mil funcionários da empresa nesta semana. Ele permite a abertura de conta gratuita em três minutos e os recursos depositados terão rendimento de 100% do CDI. O vendedor poderá aceitar pagamentos sem maquininha, via código de imagem (QR Code), envio de link ao cliente ou boleto, e o dinheiro cai na hora na conta. Já os clientes podem cadastrar cartões para pagar em máquinas da Cielo ou no e-commerce. Será permitida transferência de recursos entre contas Cielo Pay, para contas bancárias e cartão de débito, além de para contatos registrados no telefone. Haverá um cartão da bandeira Elo atrelado à conta.

“Com o aplicativo, nosso cliente muda de figura: acompanharemos sua jornada não só como vendedor, mas como consumidor”, disse Caffarelli. “Queremos prestar serviço não só no ‘core business’, o adquirente que captura a transação e encaminha para a liquidação. Isso é pouco dentro da atividade ligada a meios de pagamento.”

Segundo Danilo Caffaro, vice-presidente de produtos, o Cielo Pay terá a funcionalidade de empréstimo. Em julho, a empresa anunciou o projeto piloto do “crédito fumaça”, o Receba Mais, que libera até duas vezes o faturamento mensal do vendedor em 48 horas, considerando a projeção de vendas futuras. A Cielo estima, com o produto lançado, R$ 1 bilhão emprestados em 12 meses.

Questionado sobre como o Cielo Pay se rentabiliza, Caffaro explica que há tarifa de R$ 7,90 para saque na rede 24 horas e de R$ 5 para TED, e é cobrada a taxa de desconto, o MDR. “Qualquer um que quer vender, cobrar, mesmo de maneira esporádica, pode ter Cielo Pay.” O aplicativo é visto como mais um passo na direção de a Cielo se tornar um banco, com serviços para pessoas jurídicas e físicas. Em julho, Caffarelli disse que ser um banco era um plano para o futuro. Dessa vez, afirmou que a Cielo tem “100% de apoio dos sócios, que sabem da concorrência acirrada”.

Analistas, no entanto, acreditam que haverá entraves. Carlos Daltozo, chefe de renda variável da Eleven Financial Research, diz que a Cielo e seus acionistas brigam pela antecipação de recebíveis, o que pode ocorrer em outros serviços bancários. Para ele, um ponto negativo no Cielo Pay é a cobrança de tarifas, o que a concorrência fez, mas teve de voltar atrás.

No mercado mundial, modelos de pagamento estão sendo propostos — não sem contratempos. Recentemente, o J.P. Morgan Chase anunciou o fim do serviço do Chase Pay, que permite pagar via QR Code em lojas físicas, lançado há quatro anos. Ao contrário do que ocorreu na China, nos Estados Unidos a onda do QR Code não pegou.

 

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