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22/07/2019 - Stone vai abrir registradora de recebíveis

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VALOR

Por: Talita Moreira

O grupo controlador da credenciadora de cartões Stone Pagamentos pediu autorização ao Banco Central (BC) para criar sua própria registradora de recebíveis, apurou o Valor.

A Stone optou por seguir um caminho próprio - em vez de se conectar a uma câmara de registros - para cumprir um procedimento que será obrigatório para bancos e credenciadoras de cartões a partir de agosto de 2020.

Conforme regulamento aprovado pelo Banco Central (BC) no mês passado, todo o fluxo de pagamentos com cartões terá de ser certificado por uma registradora. Convertidos em ativos financeiros, os recebíveis poderão ser usados pelos lojistas como garantia em operações de crédito de maneira muito mais flexível do que hoje.

A tendência é que os grandes bancos e suas credenciadoras façam o registro de suas operações na Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP), controlada por eles. Outra parte do setor, especialmente as novas credenciadoras e os bancos de menor porte, devem se organizar em torno da Central de Recebíveis (Cerc), a única que já obteve autorização do BC para prestar esse serviço.

Outras companhias aguardam a licença do órgão regulador ou já manifestaram interesse de atuar nesse mercado, como a Central de Registros de Direitos Creditórios (CRDC), controlada pela Associação Comercial de São Paulo, a Certa, ligada à Associação Brasileira de Bancos (ABBC), a Serasa Experian e a Luz Engenharia. Será obrigatória a interoperabilidade entre elas, conforme determinação do Banco Central.

A Stone decidiu criar sua câmara de registros por ter uma visão divergente das soluções apresentadas por essas companhias, embora seja crítica à atuação verticalizada dos bancos nos mercados de crédito e meios de pagamentos. A credenciadora é conhecida pela postura de contestação ao domínio dos grandes bancos, e por isso a CIP nunca foi uma opção cogitada por ela.

A empresa chegou a se aproximar da Cerc, mas discorda do formato de registro oferecido por ela. Desde a época em que a regra do BC foi discutida em consulta pública, a Stone defende que o registro dos recebíveis seja feito transação a transação (cada filipeta de uma venda em uma padaria seria um registro), enquanto a solução da Cerc é fazer o registro de cada dia de operações.

Na regra aprovada em junho, o BC estipulou que uma unidade de recebíveis será o equivalente a um dia de pagamentos feitos com cartões de uma determinada bandeira. Porém, não há impedimento para que o registro seja feito de forma fracionada, como defende a Stone.

A registradora da Stone fará inicialmente a certificação de recebíveis de cartões, mas a tendência é que amplie o escopo de atuação para outros ativos financeiros. Duplicatas, títulos do agronegócio e registros de ativos imobiliários são algumas das operações que despertam interesse das empresas que atuam ou querem atuar nesse mercado.

O movimento da Stone incomoda concorrentes, que temem um conflito de interesses na atuação da empresa como credenciadora - um ente regulado pelo BC - e como provedora de infraestrutura para o mercado.

Conforme apurou o Valor, o entendimento da companhia, no entanto, é que a própria competição entre as registradoras ajudará a assegurar que haja boa governança.

Antes de solicitar a autorização do BC, a Stone perguntou a algumas subcredenciadoras se teriam interesse no serviço de registro de recebíveis, segundo fontes a par do assunto.

O investimento na registradora, de valor não conhecido ainda, deverá ser feito pela holding da Stone, que já tem no portfólio empresas como a conciliadora de pagamentos Equals e as startups de soluções para pagamentos eletrônicos MundiPagg, Cappta e PagarMe.

A Stone abriu seu capital em outubro do ano passado, quando levantou US$ 1,4 bilhão em uma oferta inicial de ações (IPO) na bolsa americana Nasdaq. Os papéis foram colocados a US$ 24 na ocasião. Ontem, fecharam o dia cotados em US$ 34,01, com alta de 0,41% em relação ao fechamento da véspera, e de 41,7% em relação ao IPO. Procurada pelo Valor, a Stone não comentou o assunto. (Colaborou Flávia Furlan)

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