Museu do Cartão de Crédito

24/06/2019 - Expansão puxada pela ´maquininha´

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VALOR ECONÔMICO

Por: Rodrigo Carro

A "guerra das maquininhas" está se refletindo positivamente no mercado brasileiro de telecomunicações. Desde o fim de 2016, o número de chips em uso nas máquinas de pagamentos com cartão cresceu mais de 70% - em abril deste ano eram 12,6 milhões no país.

Já o valor transacionado no Brasil por meio de cartões de crédito, débito e pré-pagos aumentou 16,27% nos últimos três anos, totalizando R$ 1,33 trilhão em 2018. O montante foi calculado pela Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs).

A abertura do mercado pelo Banco Central a partir de 2010 foi um dos fatores que impulsionaram a multiplicação dos terminais de pagamento, lembra Daniel Fuchs, diretor de Tecnologia da Informação do Grupo Datora, que engloba duas empresas de telecomunicações. Essa abertura ocorreu com a entrada em vigor de normas que ajudaram a expandir o número de empresas responsáveis por capturar, transmitir, processar e liquidar as transações financeiras com uso de cartões de crédito e débito.

"Surgiram muitas empresas que oferecem meios de pagamento", afirma o executivo. Até o fim da década passada, Cielo e Rede concentravam este mercado. "Saímos de um duopólio, dez anos atrás, para um mercado com dezenas de adquirentes [empresas que viabilizam o pagamento via cartão]", compara André Martins, analista da XP Investimentos.

Em 2014, as participações de mercado somadas de Cielo e Rede totalizavam 91%. Ao fim do quarto trimestre do ano passado, esse percentual havia recuado para 72%. Entre as novas empresas mais bem-sucedidos, o analista financeiro cita a Getnet (pertencente ao Santander) e a independente Stone.

O surgimento de novas adquirentes alavancou o número de aparelhos usados como terminais de pagamento (POS na sigla em inglês), que passou de 3,01 milhões em 2010 para 4,13 milhões em 2017 - uma expansão de pouco mais de 37% no período, de acordo com dados do Banco Central do Brasil (BCB).

Ainda em 2017, havia no país 8,9 milhões de chips em funcionamento dentro de equipamentos POS, conforme indicam dados compilados pela consultoria Teleco. A diferença entre o número de chips (cartões SIM) e o de máquinas de cartão é explicada pelo fato de alguns terminais de pagamento poderem funcionar com mais de um chip.

Apesar do volume crescente de chips, a receita média mensal por chip utilizado na comunicação entre máquinas, como é o caso dos terminais de pagamento para cartão, é baixa, diz Eduardo Tude, diretor-presidente da Teleco. Considerando a totalidade dos chips para a comunicação entre máquinas (M2M, na sigla em inglês), essa receita fica entre R$ 2,50 e R$ 2,70 por cartão SIM, em valores líquidos (cerca de R$ 3,50 com os impostos incluídos).

A partir de agosto de 2014, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) passou a classificar os dispositivos móveis M2M em duas categorias: especial (aqueles que funcionam sem intervenção humana) e padrão (nos quais há necessidade de interferência humana, como é o caso das máquinas de cartão).

"A aposta principal das operadoras é no IoT [sigla em inglês para internet das coisas] mais massivo", afirma Tude. O uso de dispositivos equipados com chip (especial) que realiza a comunicação máquina a máquina sem intervenção humana vem crescendo a uma taxa ainda mais acelerada do que a das máquinas de cartão.

Informações compiladas pela Teleco indicam que havia em abril 21,5 milhões de terminais M2M no país, dos quais 8,9 milhões eram conexões de internet das coisas e 12,6 milhões, chips utilizados em máquinas de cartão. Embora os cartões SIM empregados em IoT ainda sejam minoria, esta base mais que dobrou desde de 2015 e tende a explodir nos próximos anos com a popularização de aplicações industriais baseadas em 5G.

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