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17/06/2019 - O mercado de pagamentos está à beira de uma revolução; conheça a estratégia do Itaú

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BRAZIL JOURNAL

Por: Pedro Arbex e Geraldo Samor

Na mais recente evidência de que a captura de transações de cartão se tornou uma commodity, o Itaú está prestes a lançar uma carteira digital para pagamentos via QR Code e disponível no celular – num movimento que visa antecipar a tendência de pagamentos instantâneos e mira principalmente a população desbancarizada.

É a primeira iniciativa de um grande banco brasileiro em direção a esse tipo de serviço, que já vem sendo oferecido no País de forma incipiente — mas crescente — por plataformas de varejo, como o Mercado Pago, do Mercado Livre, e o Payly, da Cosan.

Batizado de iti, o app ainda está em fase de testes e deve estar disponível para download em julho.

“47% dos pagamentos hoje ainda são feitos em dinheiro no Brasil. Tem uma população desbancarizada grande que podemos atender com essa solução”, diz Livia Chanes, diretora do Itaú encarregada do iti.

O modelo de carteira digital — popular na China — ainda é pouco disseminado no Brasil. Menos de 1% da população brasileira utiliza esse meio de pagamento.

O iti será agnóstico, e não restrito a clientes do Itaú.

O usuário fará o download gratuitamente e o cadastro exigirá apenas dados básicos, sem necessidade de comprovar renda. O cliente colocará dinheiro na conta através de transferência de qualquer banco ou pagamento por boleto.

Com isso, poderá fazer pagamentos via QR Code utilizando o código disponibilizado pelos estabelecimentos, e transferências para outros players cadastrados no iti, de forma gratuita. DOCs e TEDs serão cobrados a partir do ano que vem (nos primeiros meses não haverá taxa nas transferências).

O app permitirá também que sejam cadastrados cartões de crédito de qualquer banco e bandeira — a exemplo do que acontece com o Apple Pay.

Será cobrada uma taxa de 1% dos lojistas nas transações, e os valores caem na hora, sem custo de antecipação, uma prova de que o Itaú vê cada vez menos valor agregado no negócio de adquirência. Para efeito de comparação: a Rede cobra uma taxa de 3,49% em média para as transações com crédito em D+2.

No modelo, a taxa vai integralmente para o iti e não há divisão entre bandeira, adquirente e emissor. A Rede fechou um contrato de prestação de serviço com a plataforma e ganhará um fee mensal pelo volume transacionado via maquininhas.

Quem ganha a guerra das maquininhas quando não houver mais maquininhas? “Estamos entrando num mundo novo”, diz um investidor de VC em empresas de tecnologia. “Por outro lado, [o Itaú] vai bater de frente com os grandes como o Mercado Pago e a Rappi, que estão desenvolvendo ecossistemas baseados em wallets digitais.”

O iti começará como uma plataforma de pagamentos, mas a ideia é que, com o tempo, novas funcionalidades sejam introduzidas na plataforma. “Vamos incluir crédito, seguros e investimentos”, disse o diretor de banco de varejo do Itaú, Márcio Schettini.

Segundo ele, a nova plataforma expande o mercado endereçável e dá um serviço complementar aos clientes que já utilizam os serviços do banco.

A iniciativa do Itaú pode parecer estranha: afinal, o iti pode canibalizar as receitas da própria Rede.

Mas tudo fica mais claro quando se considera o contexto regulatório.

O Banco Central deve regulamentar — já no segundo semestre — a interoperabilidade entre os meios de pagamento, o que o BC chama de “Pagamento 24x7”.

O novo sistema vai tornar obsoletos as formas de pagamento tradicionais, como o TED, o DOC e cartões de débito, e vai diminuir a relevância de adquirentes e bandeiras.

Na prática, o novo sistema é uma central de liquidação — provavelmente usando tecnologia blockchain — na qual cada player do mercado (correntistas, bancos, lojistas) vai publicar o seu QR Code, permitindo pagamentos por qualquer parte envolvida no arranjo.

Hoje, os pagamentos em QR Code funcionam “intrabanco” (um modelo fechado em que você e o lojista têm que ser correntistas do mesmo banco ou wallet para fazer a transferência). A partir do segundo semestre, o sistema deve funcionar entre quaisquer participantes do mercado.

Os adquirentes ainda poderão ser protagonistas se aceitarem o QR Code de terceiros, como Cielo já faz com o Agibank, como parte de um acordo fechado no final do ano passado.

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