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07/06/2019 - Credenciadoras se armam para disputar varejo on-line

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VALOR 

Por: Flávia Furlan e Talita Moreira

As margens mais apertadas no negócio tradicional de credenciamento de cartões têm levado as grandes empresas do setor a apostar em tecnologia e serviços voltados, principalmente, ao comércio eletrônico.

A Getnet, controlada pelo Santander, lançou no fim de maio uma plataforma tecnológica para empreendedores. Serão oferecidos dez serviços, que vão de emissão de boletos até consultoria para ajudar os comerciantes a aumentar as vendas.

A credenciadora já oferecia esses serviços individualmente ou em blocos. Agora, a oferta está completa, diz o presidente da Getnet, Pedro Coutinho. “Construímos um guarda-chuva com todos os produtos necessários ao e-commerce”, afirma, em entrevista ao Valor. “Sem dúvida queremos reduzir a participação das maquininhas no nosso resultado.”

Terceira maior empresa do setor, a Getnet está de olho em um mercado que cresceu 18,4% e movimentou R$ 198 bilhões no ano passado — o dos cartões não presenciais, usados em comprar on-line. A expectativa da credenciadora é dobrar sua participação no segmento em três anos, para 20% do volume de transações.

O e-commerce ainda representa uma parcela relativamente pequena do mercado de cartões como um todo, que movimentou R$ 1,55 trilhão em 2018, segundo dados da Abecs, a associação das empresas do setor. Porém, é a área que cresce com maior velocidade.

Por isso mesmo, a Getnet não está sozinha. No ano passado, a Rede, do Itaú Unibanco, firmou parceria com a plataforma de transações on-line americana PayPal, cofundada pelo bilionário Peter Thiel, para auxiliar os varejistas a aumentar a conversão das vendas pela internet. O banco também lançou o Iti, plataforma de pagamentos instantâneos.

A Cielo, controlada por Bradesco e Banco do Brasil, também tem mudado o foco sob a gestão de Paulo Caffarelli, iniciada em novembro. Na nova fase, a companhia está abrindo mão de margem para recuperar participação do mercado e se manter líder do setor. O movimento mais recente foi um corte no patamar de dividendos dos próximos trimestres com o intuito de preservar caixa e, se necessário, fazer aquisições para ampliar o portfólio de serviços. “Se tiver algum tipo de negociação no mercado que faça sentido, vamos olhar de forma firme”, afirma o executivo.

Segundo Caffarelli, a Cielo está deixando de ser uma credenciadora — empresa que habilita os lojistas no ponto de venda para receber com cartões — para se tornar uma empresa de tecnologia em meios de pagamentos. “Por isso, estamos vendendo produtos acessórios à adquirência para nossos clientes, como soluções para combate à fraude.”

Assim como aconteceu no mercado de pagamentos com maquininhas, a disputa pelo segmento virtual começa a se expandir para os pequenos empreendedores. Uma das modalidades que estão no radar das credenciadoras são os lojistas que vendem produtos em marketplaces.

O sistema da Getnet inclui a montagem de lojas virtuais em 48 horas para micro e pequenas empresas, com prestação de serviços por R$ 39 ao mês. Há ainda serviços para gestão do negócio, como emissão de boletos, cofre digital (para evitar desvios de valores na internet), conciliação entre o caixa e as contas da empresa, checkout digital e a recorrência, para desconto de valores mensais dos clientes. No total, uma empresa precisa de seis a dez fornecedores para montar uma plataforma de venda on-line completa, segundo Coutinho.

A Getnet afirma já ter mais de 4 mil clientes usando seus serviços digitais. À frente da operação ficará Pedro Cardoso, que era vice-presidente da Adyen, empresa de plataformas de pagamentos que tem como clientes Uber, iFood e Rappi.

A Cielo também tem planos para avançar entre os pequenos empreendedores virtuais. A companhia atende metade do e-commerce hoje do país, mas ainda está muito concentrada nos grandes varejistas on-line. A ideia agora é mudar essa equação. “Os pequenos estão começando agora a vir para esse processo, e estamos abordando esses clientes com nossos produtos”, diz Caffarelli.

Credenciadoras mais novatas, entre elas a PagSeguro, do grupo UOL, e a Stone, têm acentuado o movimento de agregar serviços aos varejistas. No entanto, elas começaram pelo mundo “off-line” e ainda estão bastante concentradas na meta de alcançar microempreendedores individuais, pequenos e médios varejistas que vendem produtos e serviços pelos rincões do país.

Frente às constantes reduções de taxas que as credenciadoras ligadas a bancos estão promovendo, a Stone, por exemplo, anunciou que “não vai reduzir preço nem mudar a estratégia”. O presidente, Thiago Piau, disse a analistas que o caminho para crescer será criar um ecossistema que tenha serviços não apenas de pagamento, mas de crédito, banco e softwares de gestão do negócio.

Nessa estratégia, a Stone tem feito aquisições. A empresa comprou neste ano a Collact, uma empresa que desenvolveu um software com um programa de fidelidade para comerciantes. Outros investimentos foram feitos na VHSYS e na Tablet Cloud, que permitem controle de ponto de venda e estoques. Juntas, elas devem adicionar uma base de 18 milhões de clientes à Stone.

A PagSeguro, por sua vez, adquiriu em março uma fatia minoritária da NetPOS, empresa que desenvolveu um software de “back-office” para o varejo, com gestão de vendas, controle de estoques e que será integrado às “maquininhas” da credenciadora. No total, a NetPOS tem 30 mil clientes. A PagSeguro já tem um quarto de sua base de clientes, de 4,4 milhões ativos, usando um serviço adicional, sendo ele transferências e cartões, entre outros.

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