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20/12/2013 - Elo acirra competição com Visa e MasterCard

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O avanço da bandeira de cartões Elo como instrumento de pagamento em transações tipicamente locais é peça-chave no projeto de expansão da marca pelo seus três grandes emissores, Banco do Brasil, Bradesco e Caixa. Nos cartões de vale-alimentação e refeição, nos corporativos com o selo do BNBDES, no Agrocard (destinado ao agronegócios) ou no Construcard (para construção e reforma) não há razão para os bancos terem despesas com royalties com as marcas internacionais dominantes, Visa e MasterCard.
 
Essa é uma das peças fundamentais do projeto Elo. A economia que bancos locais terão com o pagamento de royalties foi um dos pilares para os pesados investimentos feitos na bandeira pelos sócios. Conforme avança, a Elo se torna um trunfo das instituições para negociar com as bandeiras estrangeiras. Se por um lado, os bancos pagam pelo uso da marca, por outro são remunerados pela taxa de intercâmbio incidente em cada transação capturada no varejo nos cartões que emitiram.
 
 
"Os patamares de negociação com as bandeiras internacionais vão mudar. Em alguns casos, já estão mudando, mas os contratos vão vencendo aos poucos, ao longo dos próximos anos", afirma um executivo de um grande banco de varejo. "Todo mundo vai se reposicionar, sejam os bancos da Elo, sejam os da Hiper", resume o executivo.
 
Lançada em outubro, a bandeira Hiper, do Itaú Unibanco, procura novos bancos emissores e, por enquanto, serve apenas para compras no crédito. Aos poucos, vai cavar espaço na base de cartões do Itaú, que hoje é 75% composta pela MasterCard.
 
A Visa aposta no seu poder de inovação junto aos bancos e na tradição de sua rede tecnológica para se manter relevante no mercado brasileiro. Percival Jatobá, diretor executivo sênior de produtos da bandeira internacional, cita as ferramentas que a empresa dispõe para reduzir fraudes em compras de comércio eletrônico como um diferencial competitivo. Outro exemplo é o trabalho que a bandeira fez no desenvolvimento do Visa Cargo, cartão que substitui a carta-frete entre caminhoneiros. "Uma rede como a nossa, com 2,2 bilhões de cartões, não surge da noite para o dia", afirma.
 
Para Jatobá, em termos de custo e de escala, não faz sentido ter uma bandeira para modalidades locais e outras para internacionais. Atualmente, somente as estrangeiras Visa e MasterCard permitem compras no exterior. Segundo dados do Banco Central, em 2012, último dado disponível, a base de cartões ativos da Visa apontava leve queda em relação ao começo do ano (ver gráfico nesta página).
 
O cartão do BNDES, desenvolvido em um primeiro momento pelo Banco do Brasil e pela Visa, serve de exemplo para o avanço da Elo. Hoje, o BB - e logo mais o Bradesco - passaram a emitir o cartão com a bandeira nacional.
 
Além do crédito, débito e múltiplo (que reúne as duas funções em um só cartão), o Bradesco começou a emitir o cartão empresarial com bandeira Elo e promete para logo o do BNDES. "A fase mais difícil da Elo foi a que passou", diz Alexandre Rappaport, da Bradesco Cartões. "Agora a fase é de ganho de escala para a bandeira."
 
Já a Caixa passará a estampar a bandeira Elo no seu Construcard, o cartão que permite o acesso à linha de crédito destinada à compra de materiais de construção e similares que o banco concede. Hoje, o Construcard não tem bandeira. "Vamos lançar o cartão múltiplo da Elo no primeiro trimestre. Levou um pouco mais de tempo pela adequação que tivemos que fazer em nossos ATMs."
 
Na Alelo, empresa de cartões pré-pagos, a marca Elo vem ganhando espaço. A companhia, antiga CBSS que administrava os cartões Visa Vale quando tinha a Visa na sociedade, também pertence ao BB e ao Bradesco. "Minha bandeira preferencial é a Elo", afirma Eduardo Gouveia, presidente da Alelo, que assumiu o cargo em setembro. "A Elo é extremamente bem aceita e só tivemos alguns problemas de estabelecimentos que não a aceitavam no começo", diz. "Na maior parte dos casos, o problema não é que o estabelecimento não aceita a bandeira, mas sim a modalidade de vale-refeição." A Alelo começou a emitir Elo no começo de 2013.
 
Gouveia pondera que ainda há espaço para a parceira de longa data, a Visa, em seu portfólio. "Ainda emitimos vale-refeição e alimentação com bandeira Visa, dependendo da necessidade do cliente. Fizemos um projeto recente com o Comitê Olímpico Internacional em que os cartões emitidos são Visa", diz o executivo. Dados do Ministério do Trabalho indicam que os vales da Alelo atendem a cerca de 4,6 milhões de trabalhadores.
 
Fonte: Valor Econômico

 

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