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18/04/2019 - Next, do Bradesco, vai ganhar vida própria

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VALOR

Por: Talita Moreira

O banco digital do Bradesco vai ganhar vida própria até o fim deste ano. O Next, como é chamado, será separado em uma companhia independente e poderá atrair novos sócios.

"É provável que não seja uma empresa 100% Bradesco", afirma Maurício Minas, conselheiro do banco e idealizador do Next, em entrevista ao Valor.

O modelo que será adotado para o desmembramento ainda vai ser definido, assim como o tipo de investidor que o Bradesco pretende atrair - um parceiro estratégico, fundos de tecnologia ou até uma abertura de capital mais adiante. Porém, o objetivo é claro: "Queremos estimular uma dinâmica de negócio digital e que a cultura do Next prevaleça", diz.

Hoje, o banco digital já tem uma identidade própria e uma equipe de 250 pessoas. O espaço que ocupa na Cidade de Deus em nada lembra a austeridade dos demais edifícios que formam a sede do Bradesco, em Osasco (SP). Porém, não deixa de ser uma área de negócios dentro do banco tradicional. Por isso, uma mudança inclusive de endereço não está descartada.

A expectativa é que, em carreira solo, o banco digital tenha mais espaço para desenvolver a cultura de inovação típica de uma startup, e que seja reconhecido como tal pelo mercado.

Um dos objetivos do Bradesco com a separação é tornar mais visível o "valuation" (avaliação de preço) do Next, que fica escondido nos números do banco tradicional. "Uma plataforma digital tem outras métricas, baseadas no crescimento e na capacidade de atrair clientes", diz Minas.

De acordo com ele, o Next ainda opera no vermelho e deve continuar assim por um bom tempo. Mas essa não é uma questão que incomoda o Bradesco por enquanto. "É sinal de que estamos crescendo", afirma.

O banco digital tem 800 mil clientes ativos, ou seja, que abriram a conta e realizaram algum tipo de transação. Com cerca de 8 mil adesões por dia, é provável que ultrapasse a meta de 1,5 milhão neste ano. "É uma velocidade bastante animadora e estamos propositalmente acelerando agora", observa Minas.

Lançado em janeiro de 2018, o Next se tornou um importante ponto de atração de clientes para o Bradesco, embora o número de aberturas de contas no banco tradicional ainda seja maior. Cerca de 80% dos usuários da operação digital não tinham relacionamento com o Bradesco antes, e 90% eram clientes de outras instituições.

Por isso, a operação se tornou peça-chave na estratégia de digitalização do Bradesco. Num evento para investidores em março, o presidente do banco, Octavio de Lazari Jr., afirmou que o Next é um dos pilares da transformação digital da instituição. Os outros são a abertura da plataforma banco a parceiros, no conceito de "open banking", e a adoção de novas tecnologias no banco tradicional.

Na nova fase, a ideia é que o Next não seja um banco do ponto de vista regulatório, o que tornará sua estrutura de custos mais leve. Com isso, pretende se igualar ao modelo adotado por boa parte das fintechs, que fazem parceria com instituições financeiras em vez de ser uma delas. Bancos precisam cumprir requisitos de compliance que encarecem a operação. "Estamos conversando com o regulador. Queremos simetria regulatória com os concorrentes", diz Minas.

O modelo prevê que o Next funcione como uma plataforma para oferecer serviços do Bradesco, mas também de outros bancos e de parceiros não financeiros. A oferta de produtos é baseada nas principais jornadas da vida dos clientes, que em sua maioria tem entre 18 anos e 35 anos. As transações são feitas a partir de objetivos, como juntar dinheiro para uma viagem e fazer uma vaquinha com os amigos. Novos produtos serão agregados aos poucos, conforme a demanda, afirma Jeferson Honorato, diretor do banco digital. "Uma das tendências é que a gente faça recomendação de investimentos", diz.

Desde que estreou, o banco fez uma série de ajustes em sua operação. A principal delas foi lançar uma conta grátis, que não estava prevista no modelo original. Mais recentemente, lançou um programa de "cash back" e estabeleceu acordos com 49 parceiros, como Uber e Airbnb, que dão descontos aos clientes do Next. Típicos das fintechs, os "mimos" são importantes para engajar os usuários, afirma Honorato.

Ainda há desafios a superar. Clientes do Next se queixam de demora para resolver problemas, e a abertura de contas pode levar dias para ser concluída, o que contrasta com a rapidez do mundo digital.

Diante de um setor que deve passar por grande transformação nos próximos anos, o Bradesco, de forma mais ampla, vem tentando rejuvenescer, até mesmo em sua imagem externa. Sob o comando de Lazari desde o ano passado, o banco aboliu o uso de terno e gravata, reservado agora para ocasiões formais.

Colocar a operação do Next em pé já foi quase uma revolução na Cidade de Deus, onde antropólogos, cientistas sociais e até "storytellers" passaram a dividir espaço com bancários tradicionais. "Precisamos que tenha cara de fintech", afirma Minas.

No entanto, o conselheiro quer ir além. "O objetivo é que o ícone do Next esteja na primeira tela do smartphone dos nossos clientes. Aí sim vamos ser relevantes", diz.

 

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