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08/04/2019 - Getnet derruba taxa para base da pirâmide

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VALOR 

Por: Flávia Furlan 

A credenciadora de cartões Getnet, do banco Santander, está derrubando as taxas cobradas dos clientes e ampliando o leque de serviços para encarar a concorrência no mercado brasileiro, principalmente na base da pirâmide. O modelo do negócio tem chamado a atenção da matriz, que quer replicá-lo pelo mundo, num processo de internacionalização.

A partir de hoje, os clientes pessoas físicas e microempreendedores individuais pagarão 2% na taxa cobrada a cada transação das compras no débito e no crédito à vista, mais próximo dos patamares praticados para as grandes empresas - antes, eram cobrados 1,95% no débito e 4,75% no crédito. Todos os valores serão pagos em até dois dias.

"Temos uma operação enxuta e trabalhamos muito a eficiência nos últimos anos no Santander e na Getnet. Estamos transferindo esses ganhos aos nossos clientes", disse Pedro Coutinho, CEO da Getnet, ao Valor, do escritório da companhia em São Paulo. O retorno sobre os ativos tangíveis do Santander passou de 14% para 20% nos últimos três anos. Em 2018, o lucro da Getnet cresceu 13%, para R$ 482,7 milhões.

As novas taxas serão oferecidas para os clientes que usam a maquininha SuperGet, que representa 30% da base de 1 milhão de equipamentos da credenciadora no país. Normalmente, são autônomos, profissionais liberais ou pessoas físicas que cobram por pagamentos de menor valor. Coutinho estima que um empreendedor com valor transacionado de cerca de R$ 1 mil por mês economize R$ 400 por ano. Na média, eles passam R$ 3 mil por mês.

No mercado, a taxa média cobrada das compras no débito à vista é de 1,48%, enquanto que no crédito à vista soma 2,63%. Esses números, no entanto, são contaminados pelas grandes empresas, que costumam pagar muito menos por ter um alto volume de transação.

Algumas credenciadoras concorrentes costumam cobrar até 5% no crédito à vista, portanto a oferta da Getnet pode ser considerada bastante agressiva. Ainda mais se considerado que as credenciadoras pagam em média 1,66% às bandeiras de taxa de intercâmbio nessa transação - no débito à vista, é de até 0,8%, por imposição do Banco Central, que quis incentivar o uso do cartão frente ao dinheiro.

A concorrência no setor de credenciamento tem crescido bastante nos últimos anos, com a entrada de novos competidores. A Getnet, no entanto, tem ganhado participação de mercado, saindo de 7% em 2014, quando foi comprada pelo Santander, para 14% neste ano. A empresa quer atender desde grandes empresas até pequenos empreendedores.

De acordo com Coutinho, o foco não é a concorrência no preço da maquininha, que é claramente subsidiada pelas credenciadoras. "Nosso tema não é vender maquininha. O foco é como levar soluções aos clientes, tanto no mundo físico quanto no digital."

A Getnet tem agregado soluções às maquininhas, desde a abertura de lojas virtuais, em até 48 horas, para pequena e média empresa que queira vender pela internet, até a análise de fluxo na loja para saber em que momento deve elevar a quantidade de funcionários para atender melhor a clientela.

Às grandes empresas, são oferecidas soluções de parceria. A Natura, por exemplo, fez parceria com o Santander para oferecer a 1 milhão de consultores os serviços de conta corrente digital sem custo, microcrédito, maquininha e cartão com funções crédito e débito.

De acordo com Coutinho, facilita no lançamento de novos produtos e serviços o fato de os acionistas minoritários Manzat Inversiones e Guilherme Alberto Berthier Stumpf terem exercido, no fim do ano passado, opção de venda de 11,5% do capital social restante da Getnet para o Santander, o que estava previsto no contrato celebrado em 2014. "Tínhamos uma governança como se fosse uma empresa 100% de terceiro, o que engessava muito".

O modelo da Getnet deve servir de inspiração para outras operações do banco no mundo, segundo um projeto anunciado no Santander Investor Day, em Londres, na semana passada. A ideia é usar a marca Getnet no exterior e exportar serviços e produtos desenvolvidos por aqui. "Vamos começar no México e depois replicar para outros países. O banco entende que temos oferta de valor e infraestrutura para prover", disse Coutinho. O executivo Cristian Mairesse Cavalheiro, que era vice-presidente de tecnologia, se desligou da Getnet na sexta, para se dedicar 100% à internacionalização, a partir de uma base em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Mundialmente, o projeto será coordenado por Javier San Félix, responsável por estratégias globais.

 

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