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01/03/2019 - WhatsApp pode lançar moeda digital própria

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ESTADÃO 
 

Por Nathaniel Popper e Mike Isaac - The New York Times


Alguns dos maiores aplicativos de mensagens pela internet estão esperando ter sucesso onde startups de criptomoedas falharam nos últimos anos: conseguir fazer com que qualquer pessoa use e entenda o mundo alternativo das moedas digitais.

Empresas como Facebook, Telegram e Signal estão se preparando para lançar, até o final de 2020, novas moedas digitais que permitam que seus usuários mandem dinheiro para contatos por meio dos sistemas de mensagem, como um PayPal capaz de trocar dinheiro por fronteiras internacionais.

O projeto mais esperado, como seria de se esperar, é o do Facebook. Ainda em caráter secreto, a empresa trabalha em uma moeda que permite que usuários do WhatsApp possam enviar a amigos e parentes, disseram cinco pessoas com familiaridade do tema ao The New York Times. Além disso, a rede social de Mark Zuckerberg também tem tido conversas com bolsas de moedas digitais para entender como vender sua moeda a consumidores, disseram quatro pessoas a part das negociações.

Já o Telegram, que tem 300 milhões de usuários, e o Signal, considerado o melhor criptografado aplicativo do trio, também trabalham em suas próprias moedas. O mesmo vale para os aplicativos líderes de mercado na Coréia do Sul e no Japão, Kakao e Line.

Com bases enormes de usuários, os apps de mensagem tem uma arma na mão: uma base já acostumada a usá-los de milhões de usuários – algo que as bolsas e startups de bitcoin não possuíam nos últimos anos. Com apenas uma atualização, o WhatsApp pode fazer mais de 1 bilhão de pessoas terem acesso de forma fácil a uma moeda digital.

Não é algo inédito: nos EUA, a Venmo se tornou bastante popular ao conseguir fazer as pessoas pagarem pelo telefone. Na China, o WeChat – uma espécie de WhatsApp local, de propriedade da Tencent – permite inúmeros pagamentos, de pizza a aplicativos de transporte.

"Será insano ver como cada uma dessas empresas lançará seus produtos", disse Eric Meltzer, cofundador de um fundo de capital de risco focado em moedas digitais, o Primitive Ventures. Procuradas pelo NYT, as empresas se negaram a comentar seus próprios projetos. Todas parecem trabalhar em moedas digitais que possam funcionar em redes descentralizadas de computadores, independentes às empresas que as criarem – e de forma semelhante ao Bitcoin.

Se isso acontecer, as novas moedas digitais podem permitir que o dinheiro se mova mais rapidamente entre países, especialmente em regiões emergentes, onde é difícil que pessoas comuns abram contas de banco ou comprem online. Além disso, os designs atuais das moedas digitais dos apps de mensagem tentam remover o problema de energia necessário para minerar (ou seja, gerar) bitcoins, a partir de inúmeros cálculos matemáticos.

No entanto, se têm vantagens competitivas, os apps de mensagem têm a probabilidade de enfrentar os mesmos problemas regulatórios e tecnológicos que impediram o Bitcoin de se tornar algo corrente. A falta de uma autoridade central – como governos e bancos – tornou-as úteis para criminosos e fraudadores. Além disso, é preciso desenhar redes de computação complexas para gerenciar uma quantidade significativa de transações ao mesmo tempo.

"Essas empresas certamente terão essas limitações tecnológicas", disse Richard Ma, presidente executivo da Quantstamp, uma empresa que faz auditoria de segurança para novas moedas digitais.

As empresas estão investindo recursos significativos em seus projetos, mesmo com a queda do valor das criptomoedas no último ano. O Facebook, por exemplo, tem mais de 50 engenheiros trabalhando em sua moeda, disseram três pessoas familiarizadas com o assunto. O site especializado em moedas virtuais, o The Block, disse que vem acompanhando o fluxo constante de abertura de vagas de empregos para o projeto do Facebook.

O esforço da empresa, que contratou David Marcus ex-PayPal para liderar o projeto, começou no ano passado, logo depois que o aplicativo de mensagens instantâneas Telegram levantou US $ 1,7 bilhão para financiar seu projeto de moeda digital. Até agora, porém, o Facebook tem mantido em segredo o que está construindo até mesmo para os funcionários: a equipe responsável pelo projeto trabalha em uma área separada dos demais colaboradores do Facebook que, segundo dois funcionários, só pode ser acessada com o uso de crachás e senhas específicas.

A empresa de Mark Zuckerberg está buscando várias maneiras de usar o blockchain, a tecnologia por trás do bitcoin que torna possível manter registros compartilhados de transações financeiras em vários computadores, em vez de depender de uma grande empresa de pagamentos como o PayPal ou a Visa. Segundo a Bloomberg, cinco pessoas que conhecem o trabalho da equipe de moeda digital do Facebook disseram que o produto financeiro mais imediato da empresa deve ter um valor atrelado ao das moedas tradicionais.

Moeda digital com um valor estável, porém, não é atraente para os especuladores - o principal público de desse tipo de dinheiro atualmente - mas permitiria que os consumidores a usassem para pagar por coisas sem se preocupar com a instabilidade do valor da moeda.

O Facebook não é o único a pensar assim, várias outras empresas optaram por introduzir suas moedas digitais atreladas ao valor do dólar americano. Entre os novos no mercado está a JPMorgan Chase que chegou a dizer que estava experimentando o conceito no mês passado.

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