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04/12/2018 - "Maquininhas" adotam novo apelo para vendas

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VALOR 

Por: Rosangela Capozoli 

A "guerra das maquininhas" saiu do campo dos preços para entrar na batalha dos serviços. Ganha o concorrente que entender melhor seu cliente e oferecer a ele o maior número de possibilidades de ampliar suas vendas. Neste cesto de serviços, estão desde informações sobre o perfil de consumo da região onde atua até uma "loja digital" que oferece toda a demanda por prestação de serviços. Na esteira dessa disputa, já aparece o cartão por aproximação, "contactless", uma forma de pagamento móvel onde o cartão é transportado para carteiras digitais e para o próprio celular.

"O que vai diferenciar 2019 são os serviços prestados, porque a guerra de preços chegou ao fim. Essa é a estratégia para enfrentar a concorrência", diz Pedro Coutinho, presidente da GetNet, do Santander, citando uma série de serviços oferecidos aos clientes. "Entre eles, a loja digital, o POS digital, um app transacional. Coutinho cita também o lançamento do GetData, que fornece aos clientes o perfil de consumo, seja da sua clientela potencial, seja da micro região onde está o estabelecimento. "Estamos fornecendo novos serviços para o cliente fazer a gestão dos seus negócios no dia a dia e assim melhorar suas vendas", diz.

Outro filão são os profissionais liberais. Nesse grupo, além da oferta de mais e melhores serviços, "a concorrência se dá pela compra da maquininha", diz Coutinho. A GetNet oferece duas maquininhas para pessoas físicas e sete tipos para POS. "Nosso foco é colocar o produto de acordo com a necessidade do cliente", diz. Entre alugar ou vender maquininhas, a companhia investe nas duas possibilidades. "Nosso mantra é: se o cliente quer comprar, ele compra. Se não quer, aluga. Vendemos o produto certo para o cliente certo", afirma.

O Santander entrou no mercado de maquininhas em 2010, concorrendo com as pioneiras Cielo e PagSeguro."À época tínhamos zero de participação e hoje nosso market share está por volta de 14%. Há 20 semestres nosso crescimento anual fica acima de 30%", afirma.

O avanço digital não dispensou o atendimento pessoal. Pelo contrário, para vender ou alugar maquininhas a seus clientes, o Santander instalou "balcões" em 20 agências e pretende ampliar esse número para cem em dois anos. O Itaú, dono dos serviços Rede, está fazendo o mesmo. A ideia é atrair novos clientes, com credenciamento imediato no local e serviços de manutenção e troca de terminais. "Com o atendimento presencial, queremos simplificar o processo de credenciamento", informa o banco.

Em maio passado, a Rede abriu na zona Leste de São Paulo sua primeira loja física que funciona como um canal de vendas e prestações de serviços aos lojistas, profissionais autônomos e microempreendedores individuais. Ali, além de informações, o cliente já pode sair com a maquininha nas mãos.

Em julho, o Itaú anunciou a entrada da marca Credicard e o lançamento das maquininhas POP Credicard e a Mega POP Credicard. Em ambas, a proposta é se diferenciar da concorrência com curto prazo de pagamento aos lojistas e taxas competitivas.

A Cielo, líder do setor, busca espaço no universo de 60 milhões de pessoas não bancarizadas. "Precisávamos democratizar a oferta da Cielo para empreendedores que não têm conta em banco, que representam um mercado relevante para nós", diz Duda Bastos, diretora de marketing da Cielo. "Lançamos neste ano, com esse objetivo, o pré-pago da Cielo, que nada mais é que uma conta digital: o cliente recebe um cartão grátis, sem anuidade e pode realizar saques, consultar extrato, fazer transferências e pagar contas".

Há empresas menores crescendo no mercado e buscando parcerias. A First Data, que opera com a marca Bin e que chegou ao país em 2014, aumentou sua participação no mercado de 1,4% para 2,6% entre 2016 e 2017, segundo pesquisa da Boanerges. Ainda sem estar associada a um grande banco de varejo, a First Data já anunciou parceria com a empresa de crédito Crefisa, além do Bancoob, Sicredi e Banco Paulista.

Outra recém chegada no mercado é a PDVend Pay, aberta há pouco mais de dois anos e que já conta com 40 mil usuários. A empresa trabalha com as principais bandeiras de cartões de crédito e débito e se apresenta como uma ferramenta capaz de integrar, de forma ágil e simplificada, toda a gestão de pequenas empresas. O comando da empresa pode se dar de qualquer lugar, desde que o cliente esteja com a maquininha em mãos.

As maquininhas só têm diminutivo nos seus adjetivos: minizinha, moderninha. Nas taxas de crescimento, elas vêm se revelando poderosas. Enquanto a GetNet cresce acima de 30% ao ano, a PagSeguro, serviço de cartões do UOL, teve aumento de 120% no volume transacionado no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2017. Em quantidade de vendedores ativos, passou dos 3,5 milhões no final do 1º semestre de 2018, segundo dados da companhia.

Essa efervescência no mercado de maquininhas não quer dizer que o papel moeda esteja caminhando para a extinção. "Não enxergamos o fim dos cartões de plástico num futuro próximo", diz Duda. Nos pagamentos por aproximação, por exemplo, observa, o cartão físico vem sendo substituído pelo virtual, mas ele não deve deixar de existir no curto prazo. Coutinho, da GetNet, acredita que, antes de o dinheiro vivo acabar, é possível que o cartão de plástico desapareça. "Os cartões serão transportados para wallets digitais, celulares, ou para uma pulseira, como é o caso do Santander Way. Não será mais preciso andar com ele no bolso", afirma.

 

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