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19/11/2018 - Pagamento com cartões por aproximação avança

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VALOR 

Por: Talita Moreira 
 

Com a partida entre os Maple Leafs e os Vegas Golden Knights prestes a começar, os canadenses se apressam para comprar um pedaço de pizza e uma cerveja. Mas não se veem ali as filas típicas dos estádios. Nem dinheiro.

Para pagar a conta, os torcedores apenas aproximam o cartão da maquininha, e pronto - já podem ir para seus lugares e aguardar o início do jogo de hóquei. Acima do caixa, se veem discretamente o símbolo da Mastercard e o aviso de que aquele estabelecimento não aceita pagamentos em espécie. A cena se repete em outros quiosques do Scotiabank Arena, em Toronto, mas também em cafés, postos de gasolina e supermercados espalhados pela cidade.

Transações como essa fazem parte da estratégia que a bandeira de cartões vem adotando para promover os pagamentos por aproximação ("contactless", no jargão do setor) e se defender de soluções como as chinesas WeChat e Alipay.

No Canadá, um dos países modelo da Mastercard para a tecnologia, cerca de metade dos pagamentos já é feita por meio de cartões sem contato ou celulares. O uso de dinheiro em espécie representa menos de 30% do total. O modelo também é disseminado em mercados como Austrália e Polônia. A cruzada da empresa agora é para tornar a tecnologia popular em outros países.

O sistema aproveita a maior parte das maquininhas já instaladas, com apenas uma adaptação nos equipamentos. Na outra ponta, requer cartões adaptados à tecnologia NFC (sigla para "near field communication", ou comunicação por campo de proximidade) e, portanto, a adesão dos bancos emissores.

O pagamento é feito ao se aproximar o cartão da maquininha, sem a necessidade de inserir o plástico no terminal ou colocar senha. A operação dura cerca de meio segundo, o que significa que é em média sete vezes mais rápida que as que utilizam chip. Uma confirmação com senha só é necessária em transações acima de determinado valor. No Canadá, esse piso começou em 50 dólares canadenses (US$ 37,80), mas foi elevado para 100 dólares depois de cair no gosto dos consumidores.

A tecnologia decolou no mercado canadense com o engajamento dos bancos emissores e das credenciadoras locais. No entanto, foram fundamentais as parcerias firmadas com cadeias de fast-food, supermercados e postos de combustíveis. "Os acordos foram importantes para conduzir a adesão", afirma Brian Lang, presidente da Mastercard no Canadá. "É preciso a adoção por lojas e consumidores."

O Scotiabank Arena, sede do time de hóquei Maple Leafs, foi um desses parceiros. A possibilidade de pagamentos sem contato está presente em todo o estádio, mas desde julho quatro estabelecimentos não aceitam receber em dinheiro. A iniciativa elevou em até 10% o gasto médio dos torcedores nas lojas, diz Michael Fagan, gerente sênior de comidas e bebidas do Maple Leafs. "Você atende com mais rapidez e menos erros", afirma.

A rede de supermercados canadense Loblaws lançou cartões Mastercard associados a seu programa de pontos e passou a incentivar com mais "milhas" quem usasse a tecnologia sem contato. Hoje, quase dois terços dos clientes que têm cartões da bandeira fazem pagamentos por aproximação. "Foi uma grande novidade no começo, mas hoje ficou mais fácil", afirma Andy MacPherson, vice-presidente de marketing e experiência do consumidor da varejista.

De acordo com o executivo, o tíquete médio de quem paga com o cartão sem contato é parecido com o dos demais consumidores. A grande vantagem, segundo ele, está na redução de custos e do tempo gasto no caixa.

A decisão de promover os pagamentos por aproximação foi tomada há mais de dez anos e envolveu os cinco grandes bancos do Canadá, credenciadoras e bandeiras como Mastercard e Visa. O movimento, embora não regulado, foi bem recebido pelo banco central por facilitar a substituição do dinheiro em espécie por meios eletrônicos. Os padrões do sistema foram lançados em 2004 e, em 2011, a rede estava pronta para ser usada. Em cinco anos, tinha participação relevante no mercado.

Os emissores e as donas das maquininhas arcaram com os custos relacionados à preparação dos cartões e dos terminais no mercado canadense. Emitir um cartão com NFC é de US$ 0,10 a US$ 0,30 mais caro que um sem a tecnologia, segundo estimativas de mercado. "O maior desafio para os emissores foi educar o consumidor e garantir que os cartões fossem aceitos", afirma Michael Weissglas, diretor-executivo de produtos e parcerias do Bank of Montreal. "Ter um limite para os gastos ajudou a dar sensação de segurança."

Segundo Michael Fowler, diretor de produtos e parcerias da credenciadora Moneris, a tecnologia melhorou a experiência de quem usa as maquininhas e reduziu despesas da empresa com manutenção. "A expectativa é que o dinheiro em espécie caia de 30% para 10% a 15% dos pagamentos em cinco anos", diz.

Com a experiência canadense em mãos, a Mastercard tenta agora levar os pagamentos por aproximação a outros países, como o Brasil. Mas por que investir num sistema que usa cartões em vez de saltar para os pagamentos por meio de celulares?

Apesar do crescimento das carteiras virtuais, os cartões são dominantes e vai ser assim por um bom tempo ainda", afirma Weissglas, do Bank of Montreal. Para Fowler, da Moneris, os aparelhos móveis serão relevantes em cinco anos, mas ainda não são preponderantes. Os cartões, por outro lado, estão disseminados e fazem parte do hábito dos consumidores.

Segundo especialistas, as diferenças técnicas entre os pagamentos com cartões e com celulares são relativamente pequenas. Para usar os telefones não será necessário investir em uma nova rede, apenas fazer ajustes na atual.

Enquanto esse momento não chega, o setor usa os cartões para tentar se defender de soluções que vêm surgindo à margem do sistema financeiro e das empresas de pagamentos, como o que se viu na China com as carteiras virtuais WeChat e Alipay. Só mais recentemente essas empresas, que representam arranjos fechados de pagamentos, passaram a ter seu fluxo visível para o regulador do mercado local.

"Achamos que é o momento de acelerar", ressalta Rodolfo Durán, vice-presidente de desenvolvimento de negócios da Mastercard para América Latina e Caribe. Segundo ele, a tecnologia alternativa de pagamento rápido e seguro e já está pronta para ser usada. "Preenche um espaço que, de outra forma, será ocupado por soluções de carteiras virtuais", afirma.

 

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