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25/10/2018 - Caffarelli sai do BB para ´reiventar´ Cielo

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Por: Talita Moreira e Edna Simão 

Paulo Caffarelli vai deixar a presidência do Banco do Brasil (BB) em novembro e assumirá a Cielo com a missão de comandar uma reviravolta na credenciadora de cartões, segundo uma fonte próxima ao assunto.

 Controlada por BB e Bradesco, a Cielo enfrenta forte pressão da concorrência, vem perdendo participação de mercado e deixou de liderar a inovação no setor de adquirência. “A Cielo está num momento em que precisa ser reinventada”, diz esse interlocutor.

A expectativa é que a presidência do BB fique com Marcelo Labuto, vice-presidente de negócios e varejo do banco. No entanto, o processo ainda não foi formalizado, segundo a mesma fonte.

A Cielo está desde julho sob o comando interino de Clovis Poggetti Junior, vice-presidente de finanças. O executivo substituiu Eduardo Gouveia, que deixou o cargo alegando motivos pessoais. Desde então, os acionistas da Cielo vinham buscando um novo presidente para a empresa com a ajuda de um “headhunter”.

O nome de Caffarelli não surgiu num primeiro momento, mas desde o início a preferência era por alguém ligado aos bancos ou à própria credenciadora.

Com a saída iminente de Caffarelli do Banco do Brasil por causa da troca de governo, a indicação do executivo ganhou força — até por conta do trabalho que o executivo fez no banco.

A ideia é que, guardadas as devidas proporções, Caffarelli reproduza na credenciadora o mesmo que fez no BB. Quando chegou à presidência do banco, em maio de 2016, a instituição estava com sua estrutura de capital fragilizada em consequência da política de juros artificialmente baixos adotados pelo governo Dilma Rousseff.

Caffarelli, executivo de carreira do banco, assumiu duas tarefas no BB. Uma era melhorar a capitalização do banco sem recorrer a aportes do Tesouro. A outra era reduzir a defasagem entre a rentabilidade da instituição e a apresentada pelos concorrentes privados. Foi bem-sucedido em ambas.

O banco chegou a junho deste ano com índice de Basileia de 18,5% e 9,46% em capital principal. Os mesmos indicadores estavam em 16,24% e 8,3%, respectivamente, em março de 2016. O retorno sobre o patrimônio líquido da instituição passou de 5,6% no primeiro trimestre daquele ano para 13,8% no segundo trimestre de 2018, em termos ajustados.

Nesse período, o BB reformulou sua política de crédito e foi, aos poucos, introduzindo novas safras com taxas de juros mais compatíveis com as dos concorrentes. As ações do BB acumulam alta de 95,78% desde o fim de abril de 2016, enquanto o Ibovespa subiu 55,97% no período.

A Cielo enfrenta desafios de outra natureza. A companhia ainda é líder do setor, mas enfrenta uma competição crescente com a chegada de novas credenciadoras ao mercado. Os exemplos mais contundentes são os da PagSeguro e da Stone, que têm sido bem-sucedidas em explorar novos nichos e práticas comerciais. Não por acaso, ambas fizeram neste ano IPOs e atraíram investidores de peso.

A base de “maquininhas” da Cielo, que era de 1,8 milhão no primeiro trimestre de 2017, caiu a 1,606 milhão no segundo trimestre deste ano. De abril a junho, o lucro líquido ajustado foi de R$ 994 milhões, uma queda de quase 18% frente ao mesmo período de 2017. A margem líquida ajustada, por sua vez, foi de 27,9%, redução de 7,2 pontos na mesma comparação.

 

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