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03/10/2018 - BMG volta ao jogo

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ISTOÉ DINHEIRO 


Com 90 anos recém-completados, Flávio Pentagna Guimarães ainda é o maior acionista do BMG. O banco mineiro foi fundado em 1930 por Antônio Mourão Guimarães, pai de Flávio. No entanto, as semelhanças com outros banqueiros mineiros acabam aí. Mesmo tendo a maior parcela das ações, Flávio não ocupa nenhum assento no Conselho de Administração, assim como seu filho Ricardo Annes Guimarães. Ambos deixaram o dia a dia da instituição em 2012 e, desde então, o banco vem trilhando um ambicioso caminho de profissionalização e diversificação dos negócios. Na década passada, as três letras eram sinônimo de crédito consignado vendido por agentes autônomos. Agora, o foco está nos 3,6 milhões de cartões de crédito emitidos para a concessão desses empréstimos.

A mudança aconteceu quando o banco encerrou, em 2016, a joint venture de quatro anos com o Itaú Unibanco, acordo marcado pela venda da sua carteira de empréstimos consignados, de R$ 29 bilhões, por R$ 1,2 bilhão. Essa transação somada ao processo de ajustes para melhorar a eficiência refletiu na diminuição da rentabilidade. Mas ,desde o fim do ano passado, o negócio mostra sinais contínuos de recuperação, o que coloca o BMG de volta ao jogo. “Notamos uma melhora operacional significativa neste ano”, diz Jean Lopes, analista da agência de classificação de risco Fitch.Em setembro, a instituição comprou, sem divulgar o valor, 65% do capital da Granito, empresa que processa transações com cartões de crédito e débito.

Cartões e maquininhas indicam o futuro dos negócios do BMG, cuja carteira de crédito somava R$ 9,1 bilhões no primeiro semestre, sendo 74% referente aos cartões de crédito consignado. Essa nova frente, liderada pelo atual presidente Marco Antonio Antunes, começou a ser trabalhada em 2016. O BMG, que tem R$ 16,1 bilhões em ativos e cerca de 4 milhões de clientes, mudou muito nos últimos cinco anos. Investiu na profissionalização e na governança, alterou sua estratégia de marketing – os patrocínios para times de futebol levaram um cartão vermelho – e vem preparando uma aposta nos meios digitais. Hoje, eles estão restritos a uma plataforma de distribuição de investimentos e à concessão de crédito por meio da fintech Lendico, que atua como correspondente bancário. Estar perto das fintechs é uma regra. A instituição fechou, há um ano e meio, uma parceria com a Bossa Nova Investimentos, além de manter a incubadora BMG UpTech, que já fez aportes em 30 empresas nos últimos dois anos.

O BMG estuda também uma oferta inicial de ações, em que poderia levantar até R$ 1,5 bilhão. Para o ex-presidente da instituição, Antonio Hermann, isso deve ficar para o ano que vem. “É preciso esperar passar a eleição”, diz ele. A analista da Eleven Financial,Tatiana Brandt, avalia que os investidores só vão se interessar por um banco com forte pegada digital. O problema do BMG é convencer os aposentados, que representam a maioria da clientela, a trocar as tradicionais visitas ao gerente pelo atendimento virtual. Hoje 90% do atendimento é realizado por agentes autônomos ou na rede franqueada das lojas Help. “Esperamos equilibrar esse percentual, mas a maior parte dos aposentados ainda prefere os meios analógicos”, disse Clive Botelho, diretor-financeiro do BMG, em uma apresentação a investidores em São Paulo, no mês de setembro.

A aquisição da Granito, que processou R$ 1 bilhão em transações no ano passado, aprofunda o esforço de diversificação, pois vai tornar o banco mais competitivo junto às micro e pequenas empresas. “Isso vai complementar os serviços que o BMG presta aos clientes de baixa renda”, diz Farooq Khan, analista da agência de classificação de risco Moody’s. Lopes, da Fitch, concorda. “A mudança no modelo de negócio transformou o BMG praticamente em um banco novo”, diz ele. Apesar de elogiarem a nova estratégia, as agências estão observando a instituição de perto. Ambas atribuem ao banco o grau de investimento. Mas colocam a nota de crédito em perspectiva negativa.“O modelo de negócio ainda não se mostrou capaz de gerar ganhos sustentáveis”, diz Khan, da Moody`s. Procurado, o banco não concedeu entrevista.

 

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