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23/08/2018 - Bradesco está perto de acordo sobre cartões com o Cade

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VALOR

Bruno Villas Bôas

O Bradesco pretende concluir nos próximos três a quatro meses um acordo com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para encerrar um inquérito envolvendo suas operações de maquininha de cartão. O banco é controlador da operadora de cartões Cielo, ao lado do Banco do Brasil.

Segundo Octavio de Lazari Junior, presidente-executivo do banco, a parte final do acordo trata da chamada trava de domicílio bancário - quando um recebível usado de garantia por comerciantes na antecipação de crédito fica "preso" no banco.

Lazari antecipou ontem as informações ao Valor PRO, serviço de notícias em tempo real do Valor, antes de participar de uma reunião com investidores num hotel do Rio de Janeiro, promovido pela Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec).

No entendimento do Cade, os bancos estariam usando a trava bancária para impedir que, mesmo após a liquidação da operação, essa garantia pudesse ser usada em operação por outra instituição financeira.

"Não temos nenhuma necessidade de o cliente ficar com o domicílio do cartão dele travado 'ad aeternum' no banco. A partir do momento que a operação for liquidada, a trava cai automaticamente" disse o executivo, acrescentando que isso foi um compromisso do banco com o Cade e que está "ajustando o sistema" para essa liberação.

O presidente do Bradesco disse ainda que as travas de domicílio bancário seriam importantes nas operações de crédito no banco porque são a garantia da operação, o que geraria taxa de juros mais baratas para o cliente.

"Vamos fazer agora duas linhas: uma que libera a trava automaticamente e outra, se o cliente preferir, que libera quando o cliente desejar", disse ele. Sobre possíveis multas, Lazari disse que isso "pode acontecer, mas não preocupa" e que deverá ser um valor "pequeno". "É um acordo global, com nós e o Banco do Brasil", disse ele.

Sobre possíveis multas, Lazari disse que isso "pode acontecer, mas não preocupa" e que deverá ser um valor "pequeno". "É um acordo global, com nós e o Banco do Brasil", disse ele.

O Cade abriu uma investigação em março de 2016 para apurar, entre outras coisas, contratos de exclusividade dos bancos com estabelecimentos comerciais e adoção de práticas anticoncorrenciais na área de pagamentos, como retaliação e discriminação na cobrança de tarifas de cartões. Um acordo semelhante foi realizado com o banco Itaú Unibanco e a credenciadora Rede.

Durante o encontro no Rio, o presidente do Bradesco disse que aguarda "apreensivo" o desfecho das eleições presidenciais deste ano, embora esteja confiante sobre a agenda que será adotada pelo próximo presidente.

"Pelo que ouvimos de todos assessores desses candidatos, o que vimos nos debates e entrevistas, a agenda está dada. Não tem como fugir da reforma trabalhista, previdenciária, simplificação tributária, seja o candidato que for", disse o executivo.

Sobre as operações do banco, ele disse que o crédito a grandes empresas deve continuar crescendo no terceiro e quarto trimestres deste ano, mesmo com a aproximação das eleições, dentro das expectativas do "guidance" do banco. Segundo ele, o crescimento está relacionado à necessidade de capital de giro das companhias. A carteira de crédito para companhias de grande porte cresceu 9,7% no segundo trimestre, para R$ 238 bilhões. Em 12 meses, a alta foi de 3,9%.

 

 

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