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21/08/2018 - Getnet avança sobre veteranas Cielo e Rede

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VALOR

Por Talita Moreira

Com uma oferta pautada em tecnologia e no relacionamento com o Santander, a credenciadora de cartões Getnet avança sobre o território das líderes do mercado, as veteranas Cielo e Rede.

Desde que o Santander adquiriu o controle do negócio, em 2014, por R$ 1,1 bilhão, a Getnet mais que dobrou sua participação no mercado. No segundo trimestre, a companhia alcançou uma fatia de 13,2% do volume de transações com cartões de crédito e débito no país. O ritmo acelerou do ano passado para cá, quando a empresa ampliou o leque de produtos e serviços.

A Cielo, controlada por Bradesco e Banco do Brasil (BB), encerrou junho com 44% do mercado. A Rede, do Itaú Unibanco, ficou com cerca de 30%. Em 2014, essas companhias tinham 55,3% e 38,2% do mercado, respectivamente. Ambas vêm sendo desafiadas por uma série de novos concorrentes e modelos de negócios. Mas a Getnet, também pertencente a um banco, foi a que arrebatou uma fatia maior desse segmento até agora.

Com o suporte do Santander, a credenciadora consegue atender das micro às grandes empresas, tirando proveito do relacionamento que a instituição tem com elas. Boa parte da clientela da empresa é, ou acaba se tornando, cliente também do Santander em produtos de crédito e antecipação de recebíveis. É algo que outras novatas do setor têm mais dificuldade de fazer, entre outros motivos, por não ter as mesmas sinergias com um banco.

A vantagem existe, mas não é a única razão para o crescimento da Getnet, diz Pedro Coutinho, presidente da credenciadora. Ele atribui a expansão da empresa a investimentos em tecnologia, segurança e uma aposta forte na prestação de serviços. Competir em preços também não é o foco.

"Nossa abordagem é de oferta completa. Discutimos com os clientes como podemos ajudá-los a vender mais", diz. Como exemplos, o executivo menciona um aplicativo para lojistas que permite fazer a antecipação de recebíveis on-line e assistir a vídeos de treinamento, além de serviços que monitoram o desempenho das operações e analisam os resultados da concorrência do cliente. "Não somos uma empresa de maquininha", afirma Coutinho ao Valor.

Pouco afeito a entrevistas, é a primeira vez que ele fala sobre a estratégia da companhia. Originalmente, a Getnet era uma empresa gaúcha de processamento de transações com cartões da qual o Santander era sócio. A empresa cuidava da parte tecnológica da operação, enquanto o banco fazia a antecipação de recebíveis para lojistas. "A Getnet é uma empresa de tecnologia. Nasceu assim e continua sendo assim", diz.

Com essa bagagem nas costas, uma das apostas mais recentes da empresa recai sobre o e-commerce - segmento que, de acordo com o Banco Central (BC), já representa perto de 20% do volume movimentado em cartões de crédito e débito. A credenciadora desenvolveu um cardápio que inclui cofre digital, conciliação financeira das vendas, integração com softwares de gestão, serviços de liquidação e gateway. "Criamos uma plataforma para integrar tudo", afirma Coutinho. "Conseguimos ter uma visão total do cliente."

Agora, a companhia começa a oferecer um serviço de "agregadora" para lojistas que vendem seus produtos em marketplaces - sites que oferecem produtos de terceiros, no modelo mais conhecido pela Amazon e pelo Mercado Livre.

A estratégia tem em vista a regra que prevê a liquidação de todas as operações de adquirentes e subadquirentes de cartões na Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP), válida a partir do próximo mês. Quem não estiver conectado ao sistema sofrerá uma espécie de "apagão" das vendas feitas com meios de pagamentos eletrônicos. A medida deveria ter sido implementada há um ano, mas muitos lojistas não estavam prontos, porque a operação é complexa.

Segundo Coutinho, o serviço desenvolvido pela Getnet faz essa ligação para os clientes. "Vamos vender essa solução pronta", diz, sem revelar nomes das empresas que já contrataram a solução.

No universo dos terminais físicos, a empresa também ampliou a oferta e dobrou sua base de maquininhas (POS) em dois anos, para cerca de 900 mil unidades - a Cielo tem 1,5 milhão e a Rede, 1,1 milhão de maquininhas. O plano é oferecer produtos para todos os segmentos de clientes.

A companhia entrou há um ano na venda de maquininhas para micro e pequenas empresas - essa modalidade, lançada pela PagSeguro, tem sido seguida por todos os concorrentes. Cielo e Rede colocaram seus produtos no mercado nos últimos meses.

O produto, comercializado pela internet, ajuda a atrair clientes fora do escopo de atuação do Santander. A parcela de não correntistas representa hoje entre 10% e 15% do total.

Na outra ponta, está em fase de testes um terminal que Coutinho chama de "iPhone das maquininhas", por permitir a instalação de aplicativos de clientes. Com a Getnet, o Santander também vem testando o mercado de pagamentos sem contato por meio de uma pulseira inteligente.

Segundo o presidente da credenciadora, é diretriz da empresa renovar com frequência seu parque de terminais. "A política é ter só equipamentos com menos de três anos de uso", afirma.

 

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