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13/11/2017 - Em Jundiaí, cartão de crédito passa na catraca do ônibus

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Por: Marli Olmos 
 

Pouca gente sabe quem foi Thomas Edmondson. Mas muitos usam o pedaço de papel que leva seu nome. Foi esse inventor inglês, nascido no século XVIII, que em 1840 pensou em substituir as passagens de trem escritas a mão por cartões retangulares numerados. A ideia rapidamente fez sucesso nas ferrovias do mundo e ainda é usada. Mais conhecidos no Brasil por quem viaja de trem ou metrô, os bilhetes evoluíram e hoje têm uma tarja magnética. Tudo indica, no entanto, que em breve esses cartõezinhos vão desaparecer e o transporte público poderá ser pago no cartão de crédito ou celular.

Rubens Fernandes Gil Filho, CEO da Autopass, fala sobre o Edmondson como se já previsse que esse tipo de bilhete em breve terá um fim parecido com o da velha ficha telefônica. A Autopass é uma empresa de tecnologia voltada à mobilidade urbana, que desenvolve novos meios de pagar o transporte coletivo. 

Numa parceria com a Mastercard, há dois meses a Autopass implantou em Jundiaí (SP) a tecnologia que permite pagamento da passagem de ônibus com cartão de crédito ou débito. Agora, são 250 ônibus de três empresas que aceitam o novo sistema. A expectativa é alcançar toda a frota até dezembro.

O cartão precisa ter embutida a tecnologia NFC (comunicação por campo de proximidade na sigla em inglês), que permite a comunicação sem fio. O usuário não precisa digitar a senha para compras de pequeno valor, como a passagem do ônibus. Basta encostar o cartão no equipamento validador. Por segurança, há um limite para esse tipo de uso do cartão, de R$ 50 por dia.

A nova tecnologia começou em Jundiaí, diz o executivo, porque, ao contrário da maioria dos municípios, nessa cidade do interior paulista as empresas de ônibus têm permissão para escolher o tipo de bilhetagem que desejam usar. Fernandes, entretanto, tem planos para ir mais longe e participar das grandes licitações, como a de São Paulo, que está próxima

A Prefeitura de São Paulo trabalha no plano de privatizar a bilhetagem do transporte público. Além disso, a Secretaria de Transportes do município demonstrou interesse em substituir o cartão de plástico pré-pago emitido pelo poder público e chamado em São Paulo de bilhete único, por variados meios de pagamento. Isso inclui cartões pré-pagos, de débito, de crédito e até aplicativos do celular.

 Fernandes prepara a empresa para atuar em todas essas opções. "O poder de escolha tem de ser do cidadão", afirma. A Autopass comercializa o cartão Bom, aceito em ônibus, trens e metrô em 39 municípios da região metropolitana de São Paulo. O principal apelo do Bom é oferecer ao usuário que transita por vários municípios a possibilidade de pagar o transporte em todas as cidades da região metropolitana com um único cartão.

A Autopass fez acordos com farmácias e clínicas médicas e desde maio o usuário do cartão Bom pode obter descontos em medicamentos das redes Drogaria São Paulo e Pacheco e em consultas e exames em 3 mil unidades privadas de atendimento de saúde em todo o país.

"A ideia é fazer com que o fato de a pessoa usar transporte público lhe dê o direito de obter descontos em serviços", destaca o executivo. No caso da substituição dos bilhetes Edmondson por diversos meios eletrônicos, Fernandes estima uma economia em torno de 50%. Os cartõezinhos são impressos na Casa da Moeda.

Apesar dos novos planos de inovação para o mercado de transporte, o papel não vai desaparecer completamente. Pensando principalmente na população que não tem conta bancária ou prefere pagar em dinheiro a Autopass tem projeto de venda, em bilheteria, de passagem em papel com o código de barras QR (resposta rápida na sigla em inglês), que pode ser escaneado, como ocorre em ingressos de cinema.

A Autopass nasceu de um antigo grupo de 45 empresários de ônibus, o CMT (Consórcio Metropolitano de Transportes de São Paulo), que, à época, cuidava da bilhetagem na região. Em 2009, parte desse grupo criou a nova empresa. Hoje a Autopass pertence a 26 investidores, incluindo proprietários de empresas de ônibus. A distribuição do capital é pulverizada. Mas, segundo Fernandes, está em estudo a abertura de seu capital.

Com experiência no setor financeiro, Fernandes assumiu o comando da empresa em 2013. Baseado em modelos europeus, dois anos depois o executivo criou o projeto para diversificar os meios de pagamento do transporte coletivo. Em 2016, a empresa obteve receita bruta de R$ 82,3 milhões e lucro líquido de R$ 27,9 milhões.

A Autopass tem um programa de investimentos em curso que somará R$ 94 milhões em cinco anos. A maior parte dos recursos será usada nas tecnologias para o desenvolvimento dos novos meios de pagamento do transporte público.

Num futuro não muito distante, segundo Fernandes, o pagamento do transporte coletivo no Brasil poderá ser feito por meio de biometria facial. Ou seja, a imagem, do usuário, captada por uma câmera liberará a catraca.

Uma experiência nesse sentido começou, há três meses, numa linha, operada pela empresa Metra, que liga a cidade de Diadema ao bairro do Brooklin, em São Paulo. Só que nesse caso o passageiro ainda usa o bilhete convencional ao mesmo tempo em que uma câmera faz uma foto dele. Por enquanto, o teste tem servido para evitar fraudes com cartões com gratuidade, como o passe para idoso.

É bem provável que evitar fraudes era algo não passava pela cabeça de Thomas Edmondson quando ele criou o bilhete numerado. O inglês também não poderia imaginar que seu invento seria usado durante tanto tempo e que só uma tecnologia muito mais avançada seria capaz de substituí-lo.

 

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