Museu do Cartão de Crédito

25/09/2017 - É hora de acabar com o dinheiro

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ISTOÉ 

Por: Ralphe Manzoni Jr.  


Há uma frase que diz que o dinheiro ajudar a girar o mundo. Não deixa de ser verdade. Mas as verdinhas são fundamentais também para movimentar a roda da corrupção. Como acabar com isso? A solução para o nosso drama, eu vou dar. Era bem óbvio, era só pensar um pouco. A solução é acabar com o dinheiro. Simples assim. Sem o papel moeda, seríamos poupados das imagens quase pornográficas de malas com R$ 51 milhões em um apartamento que seria usado pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima, em Salvador. Não veríamos também o assessor especial da presidência da República, Rodrigo Rocha Loures, correndo com uma valise recheada com R$ 500 mil pelas calçadas de São Paulo.

Não se trata de piada de salão. O fim do dinheiro não acabaria com a corrupção. Mas, sem o papel moeda, ficaria mais difícil movimentar grandes somas de dinheiro sem deixar rastros. Não estou defendendo a adoção de moedas digitais, como o Bitcoin. Afinal, essas moedas são acusadas de ajudarem a acobertar crimes ao permitir transferências anônimas (antes que me apedrejem, não estou sustentando que as criptomoedas devem ser banidas da face da Terra). Não estou também menosprezando a capacidade de hackers criarem artimanhas para fazer circular dinheiro fruto de corrupção. Há ainda questões sérias que devem ser debatidas, principalmente em relação à privacidade dos consumidores.

Mas a minha proposta não é uma utopia. Há países em que o papel moeda já quase não circula. É o caso da Suécia. Por lá, os fiéis pagam o dízimo por mensagem de texto e vendedores ambulantes têm máquinas de cartão de crédito sem fio. Em 2015, por exemplo, as cédulas e moedas representavam apenas 2% da economia sueca. Para efeito de comparação, nos EUA era 7% e na zona do Euro, 10%. Apenas um quinto de todos os pagamentos foi feito em dinheiro no País. Em mais da metade das agências dos maiores bancos da Suécia não há nenhum dinheiro em estoque e não são aceitos depósitos em dinheiro.

Do ponto de vista tecnológico, não há empecilhos técnicos para acabar com o dinheiro. As tecnologias disponíveis já garantem a movimentação de grandes somas de recursos, com relativa segurança. Elas, inclusive, já são as preferidas dos consumidores, inclusive no Brasil. Um estudo da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) mostrou que as transações bancárias por celulares já são as mais populares no mercado brasileiro. Em 2017, elas representaram 34% do total. Em segundo lugar, está o internet banking, com uma fatia de 23%. Os terminais de autoatedimento e os pontos de venda do comércio vêm a seguir, com 15% e 10%, respectivamente.

Soma-se a esses fatores o fato de o Brasil ter 242 milhões de assinantes da telefonia celular, mais de um aparelho por habitante. É claro que essa é uma média estatística. Há pessoas que não tem ainda um único aparelho. E, mesmo entre aqueles que são assinantes da telefonia móvel, o celular pode ser tão simples que só serve para falar – os chamados “burrofones”. Mas com algum investimento e muita vontade política seria possível deixar todos os brasileiros com smartphones e cartões de crédito e débito para realizar transações eletrônicas. Há um antigo ditado que diz que a ocasião faz o ladrão. O escritor Machado de Assis (1839-1908) adaptou, com muita precisão, esse dito: “a ocasião faz o furto; o ladrão já nasce feito.” Acabar com o dinheiro pode não ser suficiente para extinguir a corrupção. Mas, com certeza, reduzirá as ocasiões para o furto ocorrer.

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