Museu do Cartão de Crédito

15/06/2017 - Conceito de "open banking" entra em pauta

« Voltar

VALOR - Por Wanise Ferraira 

Depois de oferecer serviços digitais a seus clientes, os bancos tradicionais brasileiros começam a se movimentar por sua própria transformação. Ou seja, ganhar flexibilidade para criar novos modelos de negócios e serem importantes atores em ecossistemas digitais. Mas para isso, há uma etapa da qual muito se tem falado mas pouco avançado: a abertura de APIs (Application Programming Interface), que são instruções e padrões de programação para o acesso a um aplicativo ou software. Sem trilhar esse caminho, não há como se tornarem realmente digitais, afirmam especialistas.

"Estamos caminhando para isso, para a abertura de APIs com nossos parceiros", diz Luca Cavalcanti, diretor executivo do Bradesco. Boa parte do impulso para acelerar o programa de API do banco está no lançamento da plataforma 100% digital, Next, com a qual a instituição financeira quer conquistar o "cliente hiperconectado". O executivo trabalha com o conceito de "jornadas" para o atendimento ao cliente, o que pode envolver a interação da empresa na compra de um carro. "Podemos levar o cliente na nossa plataforma a interagir com uma concessionária de veículos, por exemplo", diz.

Para Cassius Schymura, diretor de canais digitais do Santander, um movimento bem interessante na Europa deverá ser observado pelos bancos brasileiros. A diretiva PSD2 (Payment Service Directive) do Parlamento Europeu prevê que os bancos forneçam suas APIs para o acesso de dados a contas bancárias e pagamentos. O prazo para que isso seja feito é janeiro de 2018.

"Há dois anos e meio que essa diretiva vem sendo analisada. O primeiro momento dos bancos foi de negação, mas agora a preocupação é outra, é como dar dois passos à frente para evitar que outras empresas usem nossas APIs e encantem nossos clientes com outros serviços", diz o executivo.

Na sua avaliação, há uma trajetória ainda difícil pela frente. "É preciso desmontar os silos, os castelos, os modelos hierárquicos para termos soluções realmente integradas", afirma. Para Cavalcanti, esse momento de disrupção já está em andamento. "Nós investimos R$ 1 bilhão em uma plataforma de banco como serviço. E isso está disponível e milhões de pessoas estão conectadas nos seus celulares, computadores, notebooks”, afirma.

No final do ano passado, o Banco Original lançou o Open Banking, uma plataforma que permite a integração de diversos aplicativos com a instituição por meio das APIs. O primeiro resultado dessa iniciativa foi dar a possibilidade aos clientes de consultarem seus saldos e extratos no serviço de messenger do Facebook. O Banco do Brasil também chegou a a anunciar um programa para o acesso das APIs do banco.

Esses movimentos, entretanto, não têm continuidade e escala, na avaliação de Carlos Eduardo Resende Galrao, consultor da Accenture . "Os bancos ainda não entenderam totalmente que sem a abertura das APIs não conseguirão evoluir digitalmente", afirma. E o tempo não é favorável já que boa parte da economia digital, incluindo as fintechs, é adepta de projetos abertos.

Para Fábio Rosato, diretor de serviços profissionais da Sensedia, "é preciso que o open banking entre na pauta das instituições tradicionais imediatamente".

Preencha os campos ao lado e receba nossas notícias:

Rua Visconde do Rio Branco, 1488 - 18º andar – Centro – Curitiba/PR

© 2012 Museu do Cartão - Todos os direitos reservados - Powered By Totalize Internet Studio