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24/02/2017 - Fintechs e credenciadoras menores criam associação para ter voz no setor

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Por Flavia Lima | De São Paulo | Valor Econômico

O mercado de cartões deu um passo importante, na última sexta, para que o novo modelo de negócios do setor, chamado de captura plena ("full"), saia do papel. Nele, qualquer maquininha (POS) poderá receber qualquer cartão e levar a cabo todo o processo até a liquidação da operação - o que hoje ainda não é possível com os cartões de bandeira Elo e Hipercard.

O novo arranjo de pagamentos estimula a concorrência como um todo, mas favorece especialmente as credencidadoras menores que, no modelo antigo, deixavam não só a liquidação da operação, mas também a gestão, o atendimento e a definição de preços cobrados do lojista nas mãos da credenciadora Cielo (no caso da bandeira Elo) e de Rede, no caso de Hipercard.

Aproveitando os bons ventos e também como uma forma de se organizar melhor nesse novo desenho, um grupo de credenciadoras de menor porte decidiu se juntar e criar a Associação Brasileira de Instituições de Pagamentos e Fintechs (Abipag), uma espécie de irmã menor da associação das empresas de cartões, a Abecs. O impulso para as independentes foi o sentimento de que seus interesses não vinham sendo defendidos de maneira adequada pelas entidades que representam as tradicionais empresas deste segmento, como a Abecs ou a própria Febraban. "Estamos de olho na agenda do governo de aumentar a competição no setor de cartões", diz Augusto Lins, executivo à frente da nova associação. Lins é também diretor da credenciadora Stone, empresa que faz parte da associação ao lado de First Data e Global Payments. O foco é trazer para o grupo fintechs e outros modelos de empresas que operam no setor de pagamentos.

A expectativa, diz Lins, é que todas as credenciadoras de menor porte tenham recebido na última sexta-feira a documentação necessária para fazer os desenvolvimentos do novo modelo. Segundo ele, as credenciadoras não ligadas a bancos identificavam um atraso nesse processo, apesar dos processos no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Na disputa com as pequenas, as empresas de pagamento tradicionais diziam que não tinham barreiras de exclusividade, mas ao mesmo tempo não passavam, segundo a associação, as informações necessárias para que os possíveis concorrentes pudessem se adaptar para operar.

A largada para novo arranjo foi dada, embora o caminho para chegar até lá ainda inclua algumas etapas combinadas com o regulador. No último dia 17, expirou o prazo para que todas as empresas deste segmento apresentassem ao Banco Central e a qualquer interessado em tornar-se participante do arranjo, todas as regras de funcionamento - informações que não estavam disponíveis até então.

O próximo passo, são os testes mais gerais para rodar o sistema, que devem ocorrer, segundo o cronograma acertado, a partir de 24 de março. A expectativa geral é que o novo modelo esteja operando até junho. As mudanças esperadas para o setor, no entanto, não devem parar por aí. Lins diz existem conversas muito bem vistas pelo regulador para a criação de uma câmara única de liquidação de recebíveis - ainda sem data sair do papel, contudo. Segundo o executivo, hoje o lojista que usa a maquininha de pequenas e médias credenciadoras não consegue fazer a antecipação do que tem a receber com os grandes bancos.

Muitas vezes, diz Lins, esses bancos não conseguem "ler" o fluxo de recebíveis futuros da credenciadora de menor porte para fazer as análises de crédito necessárias. O que leva o lojista a ir atrás de uma maquininha que possa fazer essa operação. "Hoje o recebível de cartão de crédito funciona exclusivamente para os bancos darem crédito. Mas isso também vai mudar".

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