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20/01/2017 - Ilan diz que mudança no cartão vai além do rotativo

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Por Daniel Rittner e Assis Moreira | De Davos (Suíça) | Valor Econômico

As medidas para reduzir os juros dos cartões no Brasil não terminam com a norma do Conselho Monetário Nacional (CMN), que deve transformar o crédito rotativo em parcelado. O presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, disse ontem que essa discussão continuará depois da norma e que é preciso repensar o modelo. Segundo ele, há muitos "subsídios cruzados" nas taxas praticadas atualmente no mercado de cartões.

"O modelo hoje funciona, mas pode melhorar ao longo do tempo. O sistema funciona, cresce, mas tem muitos subsídios cruzados. Uma parte paga pelo outro porque estamos acostumados assim", afirmou Ilan, em Davos, onde encerrou sua participação no Fórum Econômico Mundial.

Questionado especificamente sobre se o Banco Central pretenderia restringir as vendas parceladas sem juros no cartão de crédito, o presidente disse que não anteciparia medidas, mas ressaltou: "Gostaríamos que cada parcela [do sistema de crédito] tivesse seu próprio funding, sem que uma precisasse subsidiar a outra. No final, há equilíbrio, mas uma paga pela outra".

Em dezembro, o governo anunciou medida que limita por 30 dias o tempo que um cliente pode permanecer usando o rotativo do cartão - linha de crédito emergencial em que o cliente para taxas de até 500% ao ano. Passado esse prazo, os bancos precisarão migrar automaticamente os clientes para outras linhas com custos mais baixos. Antes do anúncio dessa medida, outras ações, como a redução do prazo de recebimento dos lojistas em compras realizadas com cartão, também foram analisadas pelo governo.

De acordo com Ilan, paralelamente, a autoridade monetária pretende organizar em fevereiro um seminário para debater o spread bancário. Ele planeja convidar ex-presidentes da instituição, economistas e formadores de opinião. O evento tem como base o Pilar 3 da instituição, que busca diminuir o custo do crédito. "Queremos abrir essa discussão", acrescentou.

Para ele, o mercado já antecipa na prática, por meio de indicadores, uma melhoria da classificação de risco brasileira pelas agências internacionais de rating. Ele não quis prever, no entanto, quando elas poderiam efetivamente elevar a nota do país.

"Estamos vendo o CDS ["credit default swap", um indicador de risco] e juros de longo prazo caindo. Os preços de ativos estão corroborando a tese de que o país está menos arriscado. Sabemos que as agências de rating têm um processo e leva certo tempo. Vamos esperar pacientemente um movimento nessa direção, que o mercado já está nos dando", comentou.

"O que estamos vendo no mercado vai acabar se refletindo [na classificação]. Não sou eu quem vai determinar o tempo das agências. O que podemos fazer é aprovar as reformas", disse Ilan.

O presidente do Banco Central considerou que o IPCA-15 de janeiro confirma o cenário de desinflação, usado pela autoridade para justificar a queda de 0,75 ponto percentual da taxa básica Selic, que foi reduzida para 13% na última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária). O IPCA-15 ficou em 0,31% em janeiro, índice mais baixo para o mês desde 1994.

"O IPCA-15 faz parte do cenário com que estamos trabalhando na ata e no comunicado. É um cenário de desinflação e ele confirma o nosso cenário-base", afirmou Ilan, após a divulgação do índice.

De acordo com o presidente da autoridade monetária, suas sinalizações sobre o "novo ritmo" de queda da taxa Selic já haviam sido dadas anteriormente. "Tudo o que falamos aqui sobre política monetária foi repetição do comunicado e da ata [do Copom]. Temos insistido no caráter condicional das expectativas. Mudanças no ritmo vão continuar dependendo da inflação e dos fatores de risco."

Indagado se o processo desinflacionário permite uma redução da meta de 2019 para 4%, Ilan preferiu não se comprometer e disse que essa é uma decisão conjunta dos integrantes do Conselho Monetário Nacional (CMN). "Não vou adiantar nenhuma discussão sobre a meta. Quando chegar lá [junho], vamos analisar o cenário e tomar a decisão apropriada."

Em relação aos swaps cambiais, Ilan afirmou que, a princípio, a ideia é rolar integralmente os contratos que vencem em fevereiro. No entanto, ponderou que esse movimento depende das condições. "Nos reservamos ao direito de mudar ao longo do tempo. A ideia nossa é permanecer neutros, fazer a rolagem integral, mas isso pode depender das condições a qualquer momento."

Ao fazer um balanço positivo de seus encontros em Davos, Ilan disse estar convencido de que houve uma mudança de ânimo em relação ao Brasil. "Estamos em um momento de inflexão em termos de crescimento e também no que diz respeito ao interesse pelo país", afirmou o executivo, antes de seguir de volta para Brasília.

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