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07/12/2016 - Transição tecnológica desafia operadoras

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Por Martha Funke | São Paulo | Valor Econômico

Apesar de sua proeminência no mundo mobile e de parcerias firmadas com o setor financeiro, principalmente com os bancos, as operadoras de telecomunicações hoje ocupam espaço tímido no setor de pagamentos. Iniciativas criadas com foco na inclusão financeira do público desbancarizado e com base em tecnologias como USSD, que permite operações por meios de celulares simples sem necessidade de consumo de dados, acabaram sendo atropeladas pela velocidade da adoção dos smartphones e pelos lançamentos de multioperadoras dos bancos líderes.

Uma das iniciativas mais bem sucedidas é o Zuum - da MFS, joint-venture da Mastercard com a Telefônica -, conta corrente gratuita no smartphone para pagamento de contas, transferência de valores e recarga de celulares e bilhetes de transporte, com opção de cartão pré-pago para compras e saques. As tarifas são R$ 14,90 para emissão do plástico e R$ 4,90 para cada saque.

Segundo o diretor de marketing Eduardo Abreu, o app teve mais de 600 mil downloads, o cartão tem mais de 150 mil clientes ativos, três vezes mais que no ano passado, e clientes Vivo têm vantagens extras: pagamentos de contas e recargas valem bônus de até 1 GB extra de dados. Entre as próximas novidades estão a oferta de extratos mais detalhados e a indicação de terceiros para mandar dinheiro pelo próprio aplicativo - para receber, é necessário baixar o app e abrir conta, viralizando o uso.

Mas o produto ainda não tem no horizonte próximo o uso do próprio celular em substituição ao plástico. "O smartphone não é barreira para o desbancarizado. Mas os modelos são mais simples, sem NFC", diz Abreu.

A Oi foi pioneira no mundo dos pagamentos. Em 2007 lançou o primeiro cartão de crédito no celular, o Oi Paggo. Em 2010, se uniu à Cielo para criar a Paggo Soluções, joint-venture direcionada ao desenvolvimento da aceitação de pagamentos com celulares. No ano seguinte, lançou o cartão de crédito Oi em parceria com o Banco do Brasil, o primeiro com utilização tradicional e pelo celular.

Em 2013, a Oi lançou com o banco e com a Cielo a Oi Carteira, cartão pré-pago recarregável também com funcionamento misto. A operadora chegou a divulgar o número em torno de 600 mil usuários da tecnologia, com vendas em 12 Estados.

A Oi Carteira permite compras em estabelecimentos credenciados à Cielo, recargas para pré-pago Oi, transferência de dinheiro para outros clientes do produto e saques em terminais do BB - as transações são aprovadas com a digitação da senha pessoal do cliente no celular. Mas o banco passou a investir mais esforços em outra vertente depois do lançamento da plataforma e-Ourocard, em 2014. "A parceria com a Oi foi importante, abriu novas frentes do mobile", detalha o diretor de meios de pagamento, Rogério Panca.

A parceria continua ativa para oferta, mas os cartões antigos estão sendo substituídos pelo novo cartão digital do banco, por meio de aplicativo próprio com funcionalidades como criação de cartões customizados e pagamento por aproximação (NFC) que já soma mais de 300 mil usuários e 1,5 milhão de transações no valor aproximado de R$ 200 milhões.

A Claro também chegou a se unir ao Bradesco na joint-venture MPO, com o lançamento do cartão Meu Dinheiro Claro em 2013. O produto pré-pago empregava tecnologia USSD, sem consumir créditos ou pacote de dados, e permitia pagamento de contas, transferência para outros clientes do produto, compras em estabelecimentos atendidos pela Cielo e saques.

O produto chegou a ganhar campanha nacional com o ex-jogador Ronaldo - um mês antes de o Bradesco lançar seu aplicativo de carteira digital, então chamado b.wallet, para compras com cartões de crédito e débito do banco com bandeira Visa por meio do smartphone. O Meu Dinheiro Claro foi descontinuado e, no início deste ano, a PayPal divulgou acordo mundial com a América Móvil, dona da Claro, para lançar uma carteira digital em toda a América Latina. Procurada, a operadora preferiu não detalhar seus planos.

A TIM, depois de vários testes, lançou no ano passado a conta pré-paga Tim Multibank Caixa, conta pré-paga para pagamento de contas, transferência de dinheiro e recarga da TIM pelo aparelho, que funciona com tecnologia USSD e envio de mensagem de texto (SMS), com plástico para compras e saques em lotéricas e correspondentes Caixa Aqui. A operadora chegou a divulgar número de usuários superior a 35 mil.

De acordo com o diretor de marketing consumer Saverio Demaria, a operadora vê dois movimentos no mercado de pagamentos móveis. De um lado, a criação de serviços para aprimorar a experiência de quem já tem conta bancária, como os pagamentos móveis via NFC e os aplicativos de bancos. De outro, os serviços para o público desbancarizado, como o Multibank. "O produto é compatível com qualquer celular", descreve Demaria.

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