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17/10/2016 - Seu jeito de usar o celular agora é senha para o PayPal

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Por João Luiz Rosa | De São Paulo | Valor Econômico

O PayPal tornou-se o mais conhecido serviço de pagamento on-line do mundo ao entender como funcionava o comércio eletrônico, iniciado no computador pessoal, e acompanhar suas mudanças. Agora, para não perder essa expectativa de vista e continuar a crescer, a companhia americana está indo para outra tela - a do celular.

O movimento é um reflexo do que acontece no mercado. A maioria das vendas virtuais ainda é feita por meio de micros de mesa e notebooks, mas isso está mudando. No primeiro semestre, 18,8% das vendas virtuais no Brasil foram feitas por meio de dispositivos móveis, como smartphones e tablets, quase sete pontos percentuais acima dos 12% do fim de 2015, segundo a consultoria Ebit. O movimento total do comércio eletrônico no semestre foi de R$ 19,6 bilhões, com previsão de chegar a R$ 44,6 bilhões até o fim do ano.

"O celular tornou-se uma espécie de controle remoto do ser humano", diz Mario Mello, diretor-geral do PayPal para a América Latina. "Isso está abrindo um novo mundo para nós."

Uma das artimanhas do PayPal é eliminar a necessidade de o usuário digitar e-mail e senha para concluir uma compra on-line. É uma boa notícia para os varejistas, já que muitos consumidores acabam abandonando os produtos no carrinho virtual quando são confrontados com essa exigência. Uma pesquisa da MasterCard, publicada no ano passado, mostra, que 52% dos entrevistados - de uma amostra de 506 pessoas no país - diziam deixar o carrinho de lado quando esqueciam suas senhas. E 45% deles gastavam até cinco minutos por dia para refazê-las.

A tentativa do PayPal de simplificar o processo chama-se One Touch. A tecnologia, que integra o conjunto de recursos de segurança da companhia, parece saída do CSI, a série de TV em que cientistas forenses usam tecnologias muito detalhadas para desvendar crimes. São 80 variáveis diferentes, como a pressão do toque do usuário na tela do celular, a velocidade dos movimentos da mão e o grau de inclinação do aparelho.

O sistema avalia tudo isso para detectar se a pessoa é mesmo quem diz ser. Se a identificação é positiva, a compra é autorizada. Caso contrário, é interrompida. E-mail e senha são requisitados apenas no registro inicial. Depois, não são mais solicitados. "É uma assinatura digital comportamental", resume Mello.

Os meios de pagamento eletrônico vêm se multiplicando à medida que os dispositivos móveis se espalham e a infraestrutura de conexão sem fio fica mais disponível. No exterior, gigantes como Google e Apple já ingressaram na competição. No Brasil, o consumidor tem à disposição serviços como o Samsung Pay, do grupo coreano de eletrônicos; o PagSeguro, do UOL; e o MercadoPago, do Mercado Livre. Companhias que processam transações de cartão de crédito, como Cielo  e Rede, também estão no páreo, além de uma infinidade de companhias menores.

O One Touch tem recebido investimentos do PayPal há três anos e reúne 600 mil clientes no Brasil, segundo a companhia. No mundo, são 36 milhões de usuários. Com a adoção do sistema, afirma Mello, os varejistas têm registrado aumentos na receita entre 6% e 23%, dependendo da área de atividade.

Como se trata de um software, o usuário pode usar o celular que já tem, sem ter de investir em modelos que exigem recursos mais avançados, como leitura da impressão digital.

O PayPal foi comprado pelo eBay, o gigante de comércio eletrônico, em 2002, por US$ 1,5 bilhão. Em julho do ano passado, as empresas se separaram e o PayPal voltou a negociar ações na Nasdaq, a bolsa eletrônica americana, como uma companhia independente. Atualmente, o valor de mercado do PayPal supera o do eBay - são quase US$ 48 bilhões versus pouco mais de US$ 35 bilhões.

Passos recentes do PayPal mostram que a companhia está indo além do comércio eletrônico. No Brasil, a empresa fechou um acordo com a Iguatemi, que controla a rede de shopping centers de mesmo nome, para automatizar a maneira de pagar o estacionamento. Por um aplicativo, o cliente bate uma foto do tíquete com o smartphone e autoriza o pagamento. O aplicativo é válido em 16 shopping centers do país. Outras fases do projeto estão previstas.

O acordo exemplifica aonde a empresa quer chegar. A maioria dos sistemas de pagamento são desenhados para substituir o cartão de crédito físico por algum dispositivo eletrônico na boca do caixa, diz Mello. No PayPal, afirma, a preocupação é facilitar todo o processo, inclusive as fases que antecedem o ato do pagamento. No caso do Iguatemi, o cliente não precisa mais ir até um guichê e pegar fila para pagar o estacionamento. "Queremos conquistar o coração e a mente do consumidor pelo celular", afirma o executivo.

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