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07/10/2016 - Mastercard leva cartão de crédito a transporte público

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Por Flávia Lima | De São Paulo | Valor Econômico

Na guerra contra o uso de papel moeda no transporte público, o Bilhete Único vai ganhar um aliado diferenciado: o cartão de crédito. A ideia é atrair o usuário único, ao dispensá-lo da tarefa cada vez mais árdua de carregar dinheiro trocado. A mudança também pode ser mais lucrativa para o operador, que reduz os gastos com emissão de bilhete.

O projeto é liderado pela  Mastercard que aposta firme em pelos menos duas frentes: reduzir drasticamente o uso do dinheiro, pois ganha com o uso do cartão, e atrair novos clientes por uma via até então insuspeita - o sistema de transporte público das principais regiões do país. "Não tem aquela história de que cidade desenvolvida é a que o rico usa o ônibus? Acreditamos nisso", diz João Pedro Paro Neto, presidente da Mastercard.

O esforço não é trivial por uma série de razões. Além da insatisfação de muitos dos usuários de transporte público, estimativa da própria Mastercard mostra que o uso do dinheiro ainda representa cerca de 30% dos R$ 80 bilhões movimentados por ano nos diferentes modais de transporte no Brasil.

Outro ponto importante é que os acordos feitos até agora incluem três operadores de transporte - a Supervia, no Rio, Metra, em São Paulo, e Metrocard, em Curitiba - e, para avançar, precisam incluir outros operadores. A meta, contudo, é ambiciosa e prevê encerrar o ano com 20% da frota de cerca de seis mil ônibus da região metropolitana de São Paulo com o terminal ajustado para aceitar o cartão. No fim de 2017, a ideia é estar nas principais capitais do país.

Para chegar lá, a Mastercard busca, a partir de parcerias com bancos de varejo, de nicho e emissores de pré-pago, colocar na rua cerca de 1 milhão de plásticos com a tecnologia para gerar a transação - conhecida como sem contato ou por aproximação. Não há concorrência com o Bilhete Único, mas coexistência de tecnologias.

Os primeiros testes vão ser feito hoje em uma linha da concessionária Metra que sai de Diadema e cruza a Avenida Luiz Carlos Berrini, na zona Sul de São Paulo; na linha vermelha e nas principais estações da linha Deodoro, da Central do Brasil, no Rio; e na região metropolitana de Curitiba. Esse primeiro estágio vai atender apenas os funcionários das empresas envolvidas no projeto.

A Mastercard não diz quanto investiu para "tropicalizar" a tecnologia que já funciona em outras cidades, como Londres, Chicago e Bogotá. Mas admite que é o investimento mais importante do ano. Para as operadoras, a vantagem está especialmente na redução do custo com bilhetagem. Segundo Paro Neto, o custo de emissão de bilhete corresponde a cerca de 15% do preço da tarifa cheia, na média mundial. Com a nova tecnologia, isso pode cair à metade.

Por excluir a necessidade de maquininha ou senha, o uso do cartão no transporte público acaba esbarrando em um problema bem brasileiro - a segurança. Para contornar fraudes, roubos e furtos, a Mastercard vai estabelecer limite diário no serviço de R$ 50. Em outros países, esse limite é de US$ 50.

Após avançar no uso do cartão, o próximo passo, diz Paro Neto, é oferecer inteligência para tentar resolver outros entraves. Dentre as ideias, está ajudar o operador a ser mais eficiente por meio de ofertas que estimulem o usuário a tomar metrô ou ônibus fora do horário de pico ou em linhas diferentes do usual. Com as informações obtidas com o uso do cartão, isso é possível, diz o executivo.

Pesquisas sobre mobilidade captam a insatisfação no uso do transporte público. Uma delas, divulgada pela Vagas.com nesta semana indica que 45% dos entrevistados acha ruim ou péssimo o uso do ônibus de casa para o trabalho. Paro Neto não desanima. Ele diz que a Mastercard assumiu meta global de adicionar 500 milhões de usuários de cartões até 2020 e o segmento de transportes é peça-chave nessa estratégia. "É uma nova agenda que não vai parar."

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