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27/07/2016 - BB, Bradesco e Caixa costuram acordos para levar Elo a outros bancos

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Por Flavia Lima | De Chicago

               Banco do Brasil (BB), Bradesco  e Caixa vão continuar a emitir cartões com as bandeiras Visa e Mastercard, mas paralelamente se esforçam para que outros bancos passem a usar a bandeira Elo, especialmente agora que ela também pode fazer operações internacionais. Sem falar em nomes, o presidente da Elo, Eduardo Chedid, disse que há dois contratos, um já assinado, para que dois outros bancos passem a oferecer a bandeira nacional criada pelos três bancos. "Visa e Master são os mesmos há 15 anos", afirma.

               A bandeira Elo foi criada por BB, Bradesco e Caixa em 2011 e ontem teve sua primeira transação com cartão internacional, feita na rede de lojas de luxo americana Neiman Marcus. A escolha do local tem a ver com a parceira da Elo na operação, a companhia com sede em Chicago Discover Financial Services, sexta maior emissora de cartões americana em faturamento e que vai aparecer ao lado da Elo nos cartões internacionais.

               Com a compra de uma gravata Zegna pelo presidente da Elo, BB, Bradesco e Caixa completam um ciclo que começou com a criação da própria bandeira em um esforço para ter controle local sobre toda a estrutura de meios de pagamento e, com isso, deixar de pagar royalties às duas grandes, Visa e Mastercard. Ao ano, dizem os bancos, são cerca de R$ 3 bilhões em royalties pagos pela indústria de cartão brasileira.

               De olho em uma fatia do mercado brasileiro com renda superior a R$ 4 mil de acordo com definição da própria empresa, a Elo quer avançar sobre a clientela da Visa e do Mastercard, após atuação bastante forte nas classes C e D. A briga pode ser boa. Com 95 milhões de cartões emitidos até o primeiro trimestre deste ano, BB, Bradesco e Caixa respondem juntos por 50% do volume financeiro movimentado em cartões e por 60% dos plásticos emitidos no país.

               Por enquanto, a imensa maioria são cartões de débito (80%), que responderam praticamente sozinhos pelos R$ 87 bilhões em compras com cartões Elo em 2015 e 1,4 bilhão de transações. A intenção é avançar no cartão de crédito, especialmente entre aqueles que compram lá fora do Brasil mesmo, por meio de sites estrangeiros.

               O cartão internacional vai ser aceito em 185 países, com 1,8 milhão de pontos para saques em dinheiro. Hoje com fatia de 10% do mercado em faturamento, a empresa quer chegar a 15%, diz Alexandre Rappaport, diretor de cartões do Bradesco, que não falou em prazo para isso. Um executivo deixou escapar que a meta é dois anos.

               O cenário que a companhia tem de lidar para chegar lá talvez explique um pouco a dificuldade em estabelecer metas. No Brasil, a cobertura das redes de credenciamento passou de 24,8 maquininhas por mil habitantes em 2014 para 25,2 mil em 2015, uma alta de 1,7% no período.

               A despeito da crise, os números indicam que a aceitação de cartões segue crescendo, mas a um ritmo menor que o observado em 2014 (+12,1%), 2013 (+4,8%) e 2012 (+15,6%).

               Os dados são da consultoria especializada em varejo financeiro Boanerges & Cia, elaborados a partir de dados divulgados em julho pelo Banco Central (BC). A consultoria ressalta a correlação muito forte entre o grau de aceitação do cartão e a renda per capita do país.

A repórter viajou a convite da Elo

 

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