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13/07/2016 - Neon, o novo banco digital da praça que promete não cobrar anuidade

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Por Guilherme Tagiaroli

As startups estão brigando para promover mudanças no tradicional ramo bancário. Já vimos algumas iniciativas, como o Nubank e o banco Original. O mais novo player do ramo das fintechs (companhias que usam tecnologia para fazer serviços financeiros mais eficientes) é o banco Neon.

O principal mote do banco, que fica baseado em São Paulo, mas não tem agência física, é “tipo um banco, só que sem taxas abusivas”. Por enquanto, a empresa parece estar operando em fase de testes, pois em seu site diz que tem convite para pouco mais de 2 mil novos correntistas.

Apesar do novo nome, o banco Neon é uma versão 2.0 da startup Controly, que oferecia um cartão pré-pago Mastercard e controle de finanças via aplicativo.

Como é o processo para abrir uma conta

O processo para abrir uma conta lembra os outros serviços do tipo. É necessário baixar o app do banco Neon (disponível para iOS e Android) e inserir dados como nome completo, CPF e endereço. Durante o processo, ele pede que você tire uma selfie, que servirá também como uma senha, uma sequência numérica e tire uma foto de seu RG/CNH.

Após inserir os dados, ele pede que você responda a algumas perguntas referentes a você. No meu caso, ele mostrou uma série de empresas e pediu para eu assinalar qual delas eu já tinha trabalhado — o que me deixou um pouco assustado, inclusive — e quais eram as iniciais do nome da minha mãe.

O processo ainda está em análise, mas, segundo o banco, caso seja aprovado, terei de fazer um depósito inicial de R$ 100 na conta. Com isso, terei dois cartões, sendo um físico de débito com a bandeira Visa e outro virtual, acessível via aplicativo da companhia.

Este último em específico pode ser usado como crédito em contas virtuais. Porém, o dinheiro será processado da sua conta na hora. Enfim, um cartão de débito.

Como esses caras ganham dinheiro?

O discurso é bem parecido com o do Nubank. Com uma estrutura enxuta e sem agências físicas, a ideia deles é ganhar dinheiro com micro-transações. Do site deles:

O Neon ganha dinheiro assim:

Sempre que você efetuar uma compra é cobrada uma porcentagem do lojista.
Recebemos uma parte da tarifa de TED, pagamentos e saques.
Uma parte da taxa de câmbio em compras internacionais fica com a gente.

O que oferece de diferente

Além de poder controlar tudo pelo aplicativo (saldo, bloqueio de cartão e controle de gastos), o banco Neon não cobra mensalidades nem anuidades — parece não existir o conceito de cesta de serviços, que boa parte dos bancos tem. O atendimento é todo feito via chat ou telefone (tentei ligar no 0800 para esclarecer uma dúvida, porém uma voz robotizada disse que todos atendentes estavam ocupados).

Ele, porém, cobra algumas taxas dependendo do tipo de operação. A primeira transferência do mês e o primeiro saque na rede 24h são gratuitos. Após isso, cada transferência custará R$ 3,50 e cada saque debitará R$ 6,90 da conta. Compras internacionais terão IOF (6,38%) + 4% mais o valor do câmbio em dólar.

Como não tem agência física, o FAQ do Neon explica a forma como você pode receber dinheiro das pessoas. Da seção: “O Neon é só um cartão?”:

Com uma conta Neon você pode fazer pagamentos, transferências, receber grana via boletos e ainda usar seu cartão de débito em qualquer lugar do mundo. Tudo isso sem cobrar taxas absurdas, filas e sem aquela papelada e burocracia que os bancos antigos costumam ter.

Bem doido, pois apesar de ser um banco digital, ele usa um método antigo e bem brasileiro, no caso o boleto, para processar transferências. Apesar disso, o banco diz que também recebe transferências de outros bancos via TED ou DOC.

Ele também conta com uma opção de aplicação, que deve ser ativada em uma função chamada Objetivo. Lá, o usuário pode definir um valor que deseja poupar. A grana será aplicada em CDBs (Certificado de Depósito Bancário) do Neon e vão render mais que uma poupança tradicional.

É difícil dizer se o Neon vai vingar. Da forma como está configurado, ele ainda dá a entender que você vai precisar continuar com uma conta em um banco convencional — muita gente tem Nubank, mas ainda não é o cartão principal, pois o limite costuma ser baixo, comparado com cartões de crédito convencionais. Porém, pode ser (ou não) o início de uma operação de êxito para um futuro em que seremos cada vez menos dependentes de cédulas de papel.

 

 

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