Museu do Cartão de Crédito

06/07/2016 - Conta na tela

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Por Jacilio Saraiva | Para o Valor, de São Paulo

Os bancos querem estar no bolso do cliente. Com o aumento da base de usuários de smartphones no país - pesquisa da Fundação Getulio Vargas de São Paulo (FGV -SP) mostra que o número de aparelhos já ultrapassou 168 milhões de unidades - a estratégia é levar todos os serviços das agências para a tela do celular. Diante desse cenário, a indústria financeira não pretende perder tempo: estudo da consultoria Deloitte para a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) indica que 33 milhões de contas já contavam com o recurso de mobile banking em 2015, uma alta de 32% em relação a 2014. Foram 11,2 bilhões de transações realizadas no período, por dispositivos sem fio, um salto de 138% ante 2014, quando 4,7 bilhões de operações foram concluídas pelos correntistas.

O levantamento, que ouviu 17 bancos, revelou também que o mobile banking já é o segundo canal preferido pelos clientes, depois da internet, com participação de 21% no total de operações em 2015 - fatia que era de 10% no ano anterior. Já o volume de contas com internet banking saltou de 56 milhões, em 2014, para 62 milhões de cadastros, no ano passado. Somadas, transações feitas por celulares e internet banking ultrapassaram mais da metade do total geral, atingindo 54%.

"O número de movimentações via celular cresceu mais de cem vezes desde 2011", afirma Gustavo Fosse, diretor de tecnologia da Febraban. Na semana passada, a entidade realizou o 26º Congresso e Exposição de Tecnologia da Informação das Instituições Financeiras (Ciab/Febraban), com mais de cem empresas expositoras - boa parte pretende surfar na onda do "banco digital", para vender novidades em áreas como biometria e assinatura de documentos por celular, além de recursos de segurança e computação em nuvem, considerados essenciais para pavimentar a escalada das transações on-line.

Mesmo com um cenário econômico desafiador, os bancos brasileiros vão continuar investindo maciçamente em tecnologia da informação (TI), segundo Murilo Portugal Filho, presidente da Febraban. "Estamos preparados para financiar a retomada do crescimento econômico no Brasil", diz. A entidade aponta que os investimentos e despesas com TI na indústria bancária somaram R$ 19,2 bilhões em 2015, ante R$ 21 bilhões em 2014. Do total, 44% foram destinados a software, 35% a hardware e 20% usados com telecomunicações.

A instituição justifica a redução dos aportes por conta do baque da economia em 2015, somado à baixa de preços de matérias-primas e equipamentos usados no setor. "Em 2016, vamos manter os níveis de investimentos dos últimos anos, para continuar perseguindo soluções inovadoras para os clientes", completa Fosse.

No Itaú, o foco é dirigir esforços para a digitalização dos serviços. A participação dos canais eletrônicos nas movimentações financeiras do banco aumentou de 26%, em 2008, para 71% do total, ainda na metade de 2016, segundo Roberto Setubal, presidente executivo do Itaú-Unibanco.

Somente as operações via celular saíram do patamar de 1%, em 2009, para 20%, neste ano. Já a fatia das transações tradicionais, em agências, encolheu de 74% para 29%, no período. "Se não nos transformamos em bancos digitais, não vamos entregar o que o correntista deseja", diz. "O celular vai ser a grande ferramenta de comunicação dos clientes com as instituições financeiras, nos próximos anos."

Para se ter uma ideia, o banco já distribuiu, desde 2015, mais de 250 mil cartões virtuais, gerados pelo aplicativo de celular Itaucard. Nesse modelo, cada unidade de cartão é responsável por uma única compra, para garantir mais segurança na hora da transação on-line. No mesmo nicho, o Banco do Brasil anunciou que o cartão digital Ourocard-e alcançou este mês a marca de 300 mil unidades emitidas e 1,3 milhão de operações de compras, desde o lançamento, no ano passado.

Para dar conta das novas demandas do consumidor na web, Setubal afirma que o Itaú observa com atenção as fintechs (startups da área financeira), em busca de aprendizado e parcerias. No ano passado, o executivo foi ao Vale do Silício, na Califórnia, para visitar empresas. No Brasil, também em 2015, o grupo criou o Cubo, um centro de empreendedorismo que mantém hoje 55 startups. "Várias já fazem trabalhos para o banco", diz.

Quem também costura acordos com as fintechs é o Bradesco, que acaba de anunciar um teste do blockchain, tecnologia que apoia movimentações com a moeda virtual bitcoin. O sistema funciona como um grande livro de registros das transações no mundo on-line. Em parceria com a startup eWally, a instituição vai oferecer uma carteira digital em smartphones, para pagamentos e transferências de dinheiro. Um programa piloto será feito em Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo.

"A quitação de contas sem um cartão físico será cada vez mais comum no Brasil", concorda André Petroucic, CEO no Brasil da Verifone, companhia americana de pagamentos eletrônicos. Segundo o executivo, o mercado financeiro mundial já conta com 450 milhões de usuários do pagamento digital, sendo 20 milhões somente na América Latina. "Em breve, já poderemos esquecer a carteira em casa e sair somente com o celular."

Fernando Chacon, CEO da Rede, diz que o uso do "dinheiro vivo" está saindo de moda e novas tecnologias virtuais ganharão espaço. No início do ano, a credenciadora de cartões do grupo Itaú lançou a Clickpag, uma solução de carteira digital para compras on-line. A expectativa é capturar R$ 6,4 bilhões em transações de e-commerce, até 2018.

Os especialistas do setor acreditam que a chegada de mais inovações no meio bancário garante poder de escolha ao correntista, que vai decidir como prefere efetuar suas transações financeiras. Pedro Coutinho, CEO da GetNet, credenciadora de cartões do Santander, afirma que a tendência é que tecnologias tradicionais convivam com as novas facilidades. "Quando os caixas de autoatendimento (ATMs) apareceram, todos pensavam que as agências iam acabar", diz. "Agora, o consumidor escolhe se quer pagar contas com cartão, celular ou via internet, no computador."

Prova disso é o movimento da NCR, do setor de ATMs, que aproveitou o Ciab para mostrar uma solução que oferece interação pessoal nos terminais de autoatendimento. A ideia é que o usuário fale com um atendente sem ter de ir ao balcão da agência - basta solicitar assistência no próprio caixa eletrônico, a qualquer hora. "A novidade chega para atender às exigências do cliente, com o auxílio da tecnologia, mas sem perder o 'toque humano'", diz João Perez, vice-presidente global de vendas da NCR.

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