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04/07/2016 - Regras do rotativo do cartão podem mudar para evitar efeito

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A taxa média de juros anual praticada pelos bancos para o rotativo do cartão de crédito ultrapassou os 440%, o maior patamar da taxa desde 1995, segundo a Anefac. O número impressiona.

Para colocar esse percentual em perspectiva, segundo um relatório do Federal Reserve - o Banco Central americano-, a taxa de juros do cartão de crédito nos Estados Unidos gira em torno de 12% ao ano. Ou seja, a taxa brasileira é quase 37 vezes maior.

As altas taxas acarretam uma inadimplência de 36% no rotativo, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviçossegundo a (Abecs). 

"Você pode ter dez notícias boas, mas a única notícia que consegue repercutir é a questão do juros do rotativo, que são altos," lamenta Ricardo de Barros Vieira, diretor executivo da Abecs. "A indústria já vem há muito tempo procurando alternativas para isso. Estamos tentando desenvolver uma cesta de soluções, alternativas, para que os emissores de cartão possam restringir ou eliminar o uso do rotativo, mas tenham possibilidades para continuar a operação."

Ricardo afirma que em menos de dois meses a Abecs finalizará um estudo, feito em conjunto com os principais bancos do Brasil, para propor uma gama de possíveis soluções para o rotativo.

"Uma taxa tão alta traz o risco de perder o cliente", afirma Rodrigo Cury, superintendente executivo de cartões do Santander.

O que é o crédito rotativo?

O crédito rotativo entra em ação quando você não paga 100% de sua fatura do cartão de crédito. O valor remanescente, se não for negociado ou parcelado, entrará automaticamente no rotativo e, sobre ele, incidirá a taxa média de 441,76% ao ano.

"É uma linha de crédito cara, sempre utilizada como uma linha emergencial.", afirma Cesario Nakamura, diretor da Bradesco Cartões. "É uma modalidade pré-aprovada pelo banco e o limite fica à sua disposição para eventualidades."

É hora de mudar

"Como o rotativo virou um ícone, um grande problema, nós estamos buscando soluções, mas sem afetar, por exemplo, o parcelamento do lojista", diz Ricardo, da Abecs. Ele acredita que a melhor solução não seria a extinção da modalidade e sim a delimitação de um prazo máximo para que a pessoa pudesse ficar no crédito rotativo.

Raul Moreira, vice-presidente de negócios de varejo do Banco do Brasil, é um dos que apoia a estipulação de um prazo para a permanência no rotativo. "Você não pode deixar o cliente por 120 dias no rotativo. Depois de um prazo, o banco e o cliente precisam sentar e negociar."

"Não vale a pena para os bancos manter os clientes no rotativo. Ele tem que passar por algumas modificações. Precisa haver um acordo no mercado," completa Moreira.

"As soluções não são tão simples. Temos que fazer isso tudo respeitando o direito do consumidor, alterando e impactando todos os contratos de centenas de milhões de brasileiros que têm cartão de crédito e sem gerar nenhum estresse, nenhum impacto, no comércio," alerta Vieira, da Abecs.

Os bancos são unânimes em dizer que "bombardeiam" os clientes com opções de pagamento com taxas menores e prazos definidos.

A Abecs, segundo Ricardo Vieira, não interfere na política de definição de taxas de cada banco e que o objetivo da possível restruturação é para oferecer um produto mais adequado.

Por que a taxa é tão alta?

"(O rotativo) é caro, porque eu não sei se você vai usar ou não, mas o limite fica à sua disposição e por ficar à sua disposição ele impacta no capital dos bancos", diz Vieira, da Abecs. "E outra coisa: o nível da taxa é alto para desestimular a utilização daquela solução."

"Todo crédito conveniente é muito mais caro que uma linha mais estruturada", afirma Rodrigo Cury, do Santander.

Ricardo Vieira diz que, embora a taxa seja realmente alta, ela atinge poucas pessoas. Segundo uma pesquisa da Abecs junto ao Datafolha, 86% dos portadores de cartão quitam sua faturas na data correta. Além disso, a média de dias que o brasileiro fica no rotativo, segundo o Banco Central, é de 15 dias, "então o cliente paga (em média) 7,5% de juros."

Segundo ele, o volume de transações nos cartões no Brasil nos últimos 12 meses ultrapassou R$ 1 trilhão e, desse total,  "apenas 2% entram no crédito rotativo".

Rodrigo Cury, do Santander, afirma que o rotativo "tem uma dinâmica muito complicada. O próprio sistema leva a um juros impraticável."

Qual o propósito do rotativo?

"O rotativo nasceu para o seguinte: você tem uma fatura que vence dia 20, mas nesse mês não entraram os recursos dia 20. Entraram dia 22. Ele foi feito para esse pequeno atraso de 1 a 4 dias", afirma Vieira, da Abecs.

"Ele nasceu com esse objetivo, mas o uso dele tem sido desvirtuado", completa o diretor da Abecs. "Um exemplo: Você acha a tarifa de táxi justa, mas se você pegar um táxi aqui em São Paulo e for para Fortaleza vai ficar mais caro do que ir de avião. Você estaria usando um meio inadequado."

Como evitá-lo?

"Muitas pessoas conhecem o termo rotativo, mas não sabem exatamente o que é. Aquele valor que não foi pago da fatura do cartão não está financiado e ali que incide o juro mais alto do mercado", diz Sonia Amaro, supervisora institucional da Proteste. Portanto, o primeiro passo para evitar a utilização do rotativo é saber exatamente o que ele é e como funciona.

O segundo passo diz respeito à educação financeira, já que o consumidor costuma entrar no rotativo por "gastar mais do que devia". "Sempre falamos da questão do orçamento doméstico. É preciso colocar todas despesas, todas as contas, no papel todos os meses. Aí, fica mais fácil para visualizar onde ainda é possível economizar", afirma Sonia.

Mas, quando a situação já é irremediável e o rotativo do cartão é uma certeza, o consumidor deve "buscar as instituições financeiras para tentar um parcelamento da dívida com taxas menores e prazo definido."

Por CAIO PATRIANI- Época Negócios

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