Museu do Cartão de Crédito

06/05/2016 - Vem aí o Facebank?

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Por Roger Marzochi | IstoÉ Dinheiro

Criado para conectar pessoas ao redor do mundo, o Facebook começa a dar sinais de que poderá influenciar o futuro do sistema financeiro. O primeiro passo já foi dado. A empresa já permite a transferência de dinheiro entre seus usuários por meio do aplicativo de mensagem Messenger nos Estados Unidos, desde 2015. Para isso, é necessário ter uma conta de débito em um banco regular. No começo de abril deste ano, o CEO e fundador da rede social, Mark Zuckerberg, esboçou seus ambiciosos planos para o uso da inteligência artificial por meio de chatbots, programas de computador que tentam simular um ser humano na conversação com as pessoas.

Esses “robôs” devem impulsionar o comércio eletrônico, sendo eles próprios um meio de pagamento. Mas será que, com seus 1,6 bilhão de usuários ao redor do mundo e com tecnologia capaz de traçar um perfil de consumo de cada pessoa a partir de seu comportamento na web, o Facebook pode ameaçar os negócios dos bancos tradicionais, das empresas de cartão de crédito e das seguradoras? “Nesse momento, o Facebook está distante de se transformar em um banco, mas vai incomodar”, diz Alexandre Lara, cofundador do Fintech Lab, que reúne informações de startups que atuam em serviços financeiros.

Outros titãs do Vale do Silício também já estão se movimentando para avançar sobre esse setor, um dos mais regulamentados do mundo. Apple, Google, Amazon e Paypal oferecem serviços que antes eram exclusividade dos bancos. O risco, na visão de analistas, é que as instituições financeiras fiquem relegadas à retaguarda, cuidando da infraestrutura, deixando a turma high-tech responsável pela interface com os clientes. Com isso, até 30% da receita dos bancos pode passar para as mãos das fintechs ou desses grandalhões da tecnologia, estima uma pesquisa da consultoria americana Accenture.

“Se os bancos não agirem rápido, vai chegar um Facebook ou outra mídia social, que conhece bem milhões de clientes, e vai perceber que as pessoas querem determinados serviços bancários”, diz Álvaro Taiar, sócio da consultoria PricewaterHouseCoopers (PwC). A vantagem do Facebook sobre bancos é sua imensa base de dados. Como poucas empresas no mundo, a rede social de Zuckerberg é capaz de saber onde as pessoas estão, que sites visitam, que aplicativos baixam, bem como seus gastos e hábitos de consumo. Com isso, poderá se adiantar às necessidades dos consumidores.

Ao saber que uma pessoa será pai, o Facebook poderá oferecer um seguro de vida ou previdência para a criança que nascerá. “Não existe essa capacidade em bancos e seguradoras”, diz Taiar, da PwC. “Eles vão ter que se reinventar e oferecer isso.” Os bancos não estão assistindo de camarote esse avanço. O Bradesco, por exemplo, desenvolve com o Facebook um aplicativo que substituirá o FBanking, que permite ao cliente realizar operações de internet banking sem sair da rede social. “De maneira geral, o Facebook não vai tomar o lugar dos bancos”, diz Marcelo Salgado, gerente de redes sociais do Bradesco. “O negócio principal de um banco não é fazer plataforma social, mas sim gestão financeira.”

O Itaú conta com uma série de aplicativos que usam recursos das mídias digitais para atrair jovens aos seus serviços. Um deles é o Tokpag, que faz transferências de dinheiro usando a lógica do WhatsApp. Os dois maiores bancos privados do País estão tentando se conectar com startups financeiras. O Bradesco tem um programa que escolhe fintechs para montar projetos-pilotos com sua base de correntistas. O Itaú apoia o Cubo, uma área que abriga empresas iniciantes. São estratégias para curtir o universo digital e não deixar o Facebook reinar sozinho no mundo virtual.

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