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04/05/2016 - Cielo perde grandes varejistas e vê expansão menor que mercado

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Por Aline Oyamada | De São Paulo | Valor Econômico

A credenciadora de cartões de crédito e débito Cielo perdeu grandes contas do varejo em negociações recentes, afirmou Rômulo Dias, presidente da companhia, em teleconferência com analistas sobre os resultados do primeiro trimestre. Segundo ele, isso foi resultado da maior agressividade da concorrência e da indisposição da Cielo em manter contas que não seriam rentáveis.

A perda desses clientes ainda não apareceu no balanço do primeiro trimestre, divulgado na segunda-feira e que veio melhor que o esperado por analistas, com crescimento anual de 10,2% no volume de compras capturadas, para R$ 139,5 bilhões.

Algumas contas que foram desvinculadas iniciaram o processo de migração em abril e outras iniciarão a transição em maio. O efeito, portanto, aparecerá no balanço do segundo trimestre e o crescimento de dois dígitos no volume transacionado não deve se repetir nos próximos trimestres, afirmou Dias.

A Rede, credenciadora do Itaú, apresentou o menor crescimento do volume transacionado entre as três maiores do mercado. As compras capturadas cresceram apenas 1,95% no primeiro trimestre na comparação anual, para R$ 92,9 bilhões, segundo o balanço do banco publicado ontem. Já a GetNet, do Santande r, avançou 24% nos três primeiros meses do ano, capturando R$ 18,4 bilhões.

O presidente da Cielo também explicou que a redução na base de equipamentos instalados em relação ao trimestre anterior se deveu à retração da atividade econômica, que aumentou a taxa de mortalidade de lojas e diminuiu as novas contratações. Também contribuiu para a queda o processo de abertura total de mercado, que permite que o lojista trabalhe com menos credenciadoras. A base instalada da Cielo se retraiu 3% no primeiro trimestre em relação ao trimestre anterior, para 2,082 milhões de máquinas.

Apesar desse cenário de maior concorrência e persistente enfraquecimento econômico, Dias reafirmou a expectativa de que o volume transacionado na indústria vá crescer entre 5,5% e 7,5% em 2016, conforme havia anunciado em fevereiro. A Cielo, repetiu Dias, deve crescer abaixo do mercado apesar do forte resultado do primeiro trimestre por conta da dificuldade em avançar sobre uma base maior.

Dias também afirmou que o "yield" da empresa - a relação entre receitas e volumes transacionados - deve ficar ligeiramente abaixo da média observada em 2015, por conta da maior competição, que tende a pressionar as receitas.

A Cielo teve lucro líquido contábil de R$ 995,4 milhões nos três primeiros meses do ano, resultado 9,2% maior que o observado no mesmo período de 2015. Analistas avaliaram que o desempenho foi melhor que o esperado e destacaram que a companhia conseguiu apresentar forte crescimento das receitas e bom resultado com as operações de antecipação de recebíveis, além de um bom controle de custos.

O presidente da companhia disse que a administração continua focada no controle de gastos para cumprir a projeção dada ao mercado de crescimento dos custos e despesas totais de 4% a 6% em 2016, anunciada em fevereiro. Reduzir essa conta é importante para produzir resultados financeiros positivos em um momento de retração econômica e aumento da competição na indústria. No primeiro trimestre, os custos e despesas da credenciadora subiram 5,9%, próximo ao teto da estimativa. O cálculo considera os custos da operação da credenciadora no Brasil e da Cateno, joint-venture com o Banco do Brasil.

Dias afirmou que, além de controlar as despesas operacionais, a credenciadora também está continuamente fazendo a gestão de seus passivos. "Estamos sempre olhando a possibilidade de reduzir o custo das nossas linhas de captações", afirmou o presidente em teleconferência com analistas.

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