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03/02/2016 - Aumento da concorrência reduz receitas da Cielo

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Por Aline Oyamada | De São Paulo | Valor Econômico

O aumento da competição no setor de cartões de crédito e débito pressionou as tarifas cobradas pela Cielo dos lojistas no quarto trimestre de 2015, levando a uma inesperada queda nas receitas da credenciadora - o que acabou pesando sobre as ações da companhia, que perderam 6,4% ontem na Bovespa. O presidente da Cielo, Rômulo Dias, afirmou que a concorrência mais acirrada exigiu uma estratégia mais agressiva de preços da companhia, em particular nos grandes clientes, que têm mais poder de barganha para negociar taxas.

Um cálculo do Credit Suisse que mede a relação entre o volume de transações capturado pela empresa no Brasil a receita ("yield") ilustra o efeito dessa estratégia. No quarto trimestre, esse indicador ficou em 0,74%, ante 0,92% no quarto trimestre do ano passado e 0,94% no terceiro trimestre. Isso significa que a empresa tem obtido receita menor para um volume maior de transações.

De acordo com o presidente da Cielo, outro fator que pesou na chamada taxa de desconto cobrada do lojista (MDR) foi o maior crescimento das compras no cartão de débito em relação ao crédito, já que essas operações têm tarifa mais baixa que a do parcelado. A companhia não divulga a evolução do MDR.

Apesar dessa queda nas taxas no quarto trimestre, Dias disse que esse resultado se deveu a fatores pontuais e não deve ser tomado como referência para 2016. "Não peguem o 'yield' do quarto trimestre como uma 'proxy' para o que acontecerá em 2016", disse a analistas. Segundo o executivo, este ano será desafiador para as receitas com taxas e aluguel de equipamentos, mas ele acredita que haverá uma queda menor de preços que no ano passado.

A maior agressividade da Cielo veio em um momento de perda de participação de mercado. Ainda líder no setor, a Cielo teve a sua fatia reduzida de 55,3% em 2014 para 54% em 2015. A Rede, a principal adversária e pertencente ao Itaú, também perdeu espaço e sua parcela caiu de 38,2% para 37,8% no ano passado, após ter registrado crescimento de 7,1% no volume de transações capturadas, para R$ 383 bilhões, segundo dados do balanço do banco divulgado ontem.

Quem ganhou fatia nesse período foi a GetNet, credenciadora do Santander, que, embora ainda capture volumes mais modestos, pouco a pouco tem conquistado terreno. Do total de compras capturadas pelas três maiores em 2015, 8,2% passaram pelas máquinas da empresa. Em 2014, esse bolo era de 6,5%. O volume de transações da GetNet avançou 36% em 2015, atingindo R$ 83,1 bilhões.

Como um todo, a taxa de expansão do mercado de cartões desacelerou no ano passado para a casa de um dígito. As três maiores credenciadoras de cartões do país capturaram R$ 1,014 trilhão em compras com cartões de crédito e débito em 2015, registrando crescimento de 8,4% em relação a 2014, de acordo com dados compilados pelo <strong>Valor</strong>. Juntas, as três empresas representam cerca de 95% do mercado.

Embora o crescimento dessa indústria ainda seja expressivo em um momento de deterioração econômica, o ritmo de expansão tem se arrefecido. Em 2014, o setor cresceu 14,8%, de acordo com dados da associação do setor (Abecs), após já ter sofrido desaceleração em relação à expansão média de mais de 20% observada nos seis anos anteriores.

Para 2015, a Abecs estima que a indústria como um todo avançou 9%, para R$ 1,05 trilhão, e a projeção para 2016 é ainda menor, de 6,5%, em resposta natural à recessão da economia.

"Infelizmente, a indústria de meios de pagamentos eletrônicos não ficou imune à deterioração do cenário econômico", afirmou Dias. O volume de transações capturadas pelas máquinas da credenciadora controlada por Banco do Brasil e Bradesco  subiu 5,9% em 2015, atingindo R$ 548,2 bilhões.

Para a Cielo, crescer mais que o mercado será mais difícil, segundo Dias. A credenciadora projeta que as compras com cartões processadas por toda a indústria de meios de pagamentos avancem entre 5,5% e 7,5% em 2016, mas diz que provavelmente crescerá menos que isso. "Devemos crescer abaixo dessa faixa dado o desafio estatístico de crescer na nossa própria base", disse Dias.

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