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26/11/2015 - Banco de BB e Bradesco quer baixa renda

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Por Felipe Marques | De São Paulo | Valor Econômico

O novo banco criado por Banco do Brasil e Bradesco para atender o público fora das agências bancárias tradicionais trabalha com a expectativa de atender pouco mais de 1 milhão de clientes no médio prazo, afirmaram executivos que participam do projeto. A ideia é que a nova instituição, que vai herdar uma carteira de crédito de cerca de R$ 1 bilhão da Ibi Promotora, cresça de maneira lenta e opere concentrada em operações de crédito via cartão com um público de menor renda, na faixa em torno de três salários mínimos. A expectativa é que comece a operar com R$ 140 milhões de capital, apurou o Valor.

À medida que a renda desse tomador crescer, ele deve migrar da nova instituição para se tornar correntista do Bradesco ou do BB.

O projeto de um novo banco da dupla vem sendo desenhado há mais de três anos. Foi só no mês passado, porém, que as instituições financeiras obtiveram a autorização do BC para começar a operação. Os planos para criação da instituição foram noticiados pelo Valor em julho de 2012, o que dá uma ideia da demora na gestação do projeto. Carlos Giovane Neves, que era da Bradesco Cartões, está à frente do projeto.

A instituição financeira, batizada, por ora, de Banco CBSS (a antiga Companhia Brasileira de Soluções e Serviços, que deu origem à Alelo), fica embaixo da estrutura da Elo Participações, que reúne outros projetos conjuntos de BB e Bradesco. Seu principal canal de distribuição vão ser as cerca de 150 lojas de rua da Ibi Promotora, que faziam parte da estrutura do Banco Ibi, comprado pelo Bradesco em 2009, e que foram separadas e repassadas para a Elo Participações posteriormente.

O modelo de distribuição de crédito para pessoas de menor renda usando lojas de rua é similar ao que os grandes bancos já testaram usando Fininvest, Losango, Taií e Finasa. A estratégia acabou abandonada gradualmente, graças a uma alta inadimplência combinada aos elevados custos de manutenção dos pontos.

Para não repetir essa experiência ruim, a ideia dos sócios é fazer com que o novo banco cresça devagar, para facilitar o controle de calotes, e testar, via um cartão pré-pago, a capacidade de pagamento do cliente antes de liberar um cartão de crédito. Outra proposta que vem sendo trabalhada é usar as lojas de rua do Ibi para vender produtos não financeiros também, de modo a melhorar suas margens. Há acordos sendo negociados, por exemplo, para distribuição de serviços de TV a cabo e compra de passagens aéreas, entre outros.

O plano dos sócios é usar também o novo banco para distribuição e apoio das operações das demais empresas do Grupo Elo. A Alelo, gestora cartões de vale-refeição e alimentação, é quem ficará responsável pelos pré-pagos que vão fazer parte da oferta do banco. Outras empresas parte do grupo incluem a Livelo, de programas de fidelidade, a Movera, de gestão de agentes de microcrédito, e a própria bandeira de cartões Elo.

"Há um público de baixa renda sem acesso a crédito nos grandes bancos e que era atendido pelas financeiras. Esse público ainda existe e a concorrência nesse mercado diminuiu muito, o que ajuda na melhora da margem", afirma um executivo que participou do projeto. Há discussões também para que o novo banco venha a oferecer produtos para pequenas empresas futuramente.

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