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02/09/2015 - Lojista novo paga mais para aceitar cartões

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Por Felipe Marques | De São Paulo | Valor Econômico

As taxas médias de desconto cobradas de lojistas para aceitar cartão subiram no segundo trimestre em relação a igual período do ano passado, segundo mostram dados divulgados ontem pela Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs).

No segundo trimestre, a taxa percentual de desconto (MDR, em inglês) média em compras com cartão de crédito foi de 2,76%, ante 2,77% no primeiro trimestre e 2,72% no mesmo período do ano passado. No débito, a taxa de desconto cobrada no segundo trimestre foi de 1,54%, ante 1,57% no primeiro trimestre e 1,53% no mesmo período do ano passado.

Marcelo Noronha, presidente da associação, diz que a elevação das taxas se deve a ampliação da base de empresas que aceitam cartão, puxada por companhias de menor porte - em que as taxas de desconto são maiores. "A maior aceitação de cartões por estabelecimentos de menor porte provoca uma tendência de subida nas taxas", afirma. Ou seja, na visão dele, a taxa não ficou mais cara para os comerciantes, mas subiu puxada pela entrada de novos lojistas menores no mercado de cartões.

Ele pondera que a comparação com o trimestre imediatamente anterior mostra uma pressão de queda nas taxas de desconto. "A competição no mercado existe e pressiona essas tarifas para baixo", diz.

Outro fator importante para incrementar a competição no setor de pagamentos eletrônicos brasileiro é a maior aceitação de determinadas marcas de cartão que hoje são restritas a apenas uma credenciadora específica. Até o começo de novembro, mais de 200 mil estabelecimentos aceitarão, em uma única máquina, as marcas Elo, Hiper /Hipercard e American Express, que hoje são exclusivas de Cielo e Rede (ex-Redecard).

Atualmente, são 10 mil estabelecimentos que participam de um piloto para garantir essa ampla aceitação das marcas. O piloto engloba apenas as máquinas da Cielo, Rede e da GetNet (do Santander), porém novas empresas vão ser adicionadas nos próximos meses.

O setor de cartões movimentou, no primeiro semestre deste ano, R$ 509 bilhões em compras, com avanço de 10,2% ante igual período do ano passado. "Um crescimento de 10,1% é razoável de se estimar para este ano e o setor vai movimentar cerca de R$ 1,078 trilhão, um pouco abaixo do que esperávamos no começo do ano", disse Noronha.

Se o volume de compras manteve um crescimento expressivo neste ano, a inadimplência das operações de crédito via cartão também avançou a largos passos. A taxa chegou a 7,5% em julho, ante 6,9% no mesmo mês de 2014, e deve subir ainda mais, espera a Abecs.

"Há uma curva de crescimento da inadimplência no cartão, mas ela segue abaixo dos níveis históricos. Os índices foram muito maiores na crise de 2008 e 2009", diz Noronha. Em setembro de 2012, por exemplo, a taxa de calotes estava em 8,7%. "Não acredito que vamos chegar nesses níveis, os modelos de concessão e de administração das carteiras de crédito evoluíram muito de lá para cá", diz o executivo, que também é vice-presidente do Bradesco.

No semestre, os gastos com cartão representaram 28,1% do consumo das famílias. A expectativa da Abecs é que o setor chegue a 40% em até oito anos.

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