Museu do Cartão de Crédito

21/07/2015 - Meu celular, minha conta corrente

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Por Clayton Melo | IstoÉ Dinheiro

Enviar e receber dinheiro, fazer saques e pagar contas. Além disso, recarregar crédito, consultar saldo, extratos e efetuar compras em estabelecimentos comerciais. Estamos falando da movimentação de uma conta bancária, certo? Sim e não. Na verdade, as funções acima também descrevem o funcionamento de uma conta corrente pré-paga, associada a uma linha de celular. Esse é um filão de negócios que começa a receber mais atenção por parte das operadoras. O interesse em difundir esse serviço não é só delas. Os bancos veem no celular um atalho para elevar o índice de bancarização no Brasil.

Trata-se de um imenso filão a ser explorado: ainda hoje, cerca de 40% da população adulta brasileira não tem conta corrente, segundo pesquisa da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). O número de celulares no mercado, no entanto, supera a de habitantes no País. São mais 283 milhões de linhas ativas ante 202 milhões de pessoas. Que tal, portanto, aliar o útil ao agradável? É o que buscaram fazer empresas como TIM, Caixa e Mastercard, que lançaram em março o Multibank. Direcionado aos clientes da operadora italiana que não possuem conta bancária, o serviço possibilita a realização de uma série de operações financeiras via celular, como pagamentos, transferências de dinheiro e recarga.

Inicialmente, o produto está disponível em Curitiba, Natal e Uberlândia, no Triângulo Mineiro. O plano é levá-lo para outras cidades, a partir deste semestre. Para a TIM, trata-se de um serviço com potencial de crescimento por ter como alvo clientes que não possuem conta em banco, parcela que representa mais de 50% do segmento pré-pago da operadora. “Essa é uma linha de negócios importante para nós, pois o celular é o veículo ideal para digitalizar diversos tipos de transações”, diz Fábio Freitas, diretor de serviços financeiros móveis da TIM.

Para ativar a conta no celular, o cliente deve ligar de um celular TIM para um determinado número e preencher um cadastro. O depósito do dinheiro na conta móvel e saques devem ser feitos em lotéricas da Caixa ou nos correspondentes Caixa Aqui. Não há taxas de manutenção nem tarifas. Como se trata de uma conta pré-paga, é possível fazer o cadastro mesmo se o cliente tiver restrição de crédito na praça. O saldo máximo na conta é de R$ 5 mil mensais. “Pelo próprio perfil do banco, um dos nossos objetivos é estimular a inclusão financeira, o que nos levou a decidir um produto como esse”, afirma Mário Ferreira Neto, diretor de cartões e financiamento ao consumo da Caixa.

“Afinal, há mais celulares que habitantes no Brasil, o que nos abre boas perspectivas com essa modalidade de negócios.” Pela parceria, a Caixa faz a gestão da conta e da oferta dos serviços financeiros, enquanto a TIM comercializa o produto para usuários de sua base de telefonia celular. A Mastercard, por sua vez, é a responsável pela plataforma de pagamentos móveis e pelo processamento das transações. “Procuramos fazer um serviço conveniente e fácil de usar, porque assim os clientes aderem”, afirma João Pedro Paro Neto, presidente da Mastercard Brasil e Cone Sul.

CELULAR E PASSAGEM DE ÔNIBUS

A bandeira de cartão de crédito também está envolvida em outro projeto de conta bancária pré-paga via celular. A companhia mantém desde 2012 uma joint venture com a Telefonica, a MFS, responsável pelo Zuum, um aplicativo que funciona como uma conta corrente digital. Com operação física em São Paulo, Sergipe, Minas Gerais, Bahia e Rio Grande do Sul, a MFS comercializa seu produto para todo o País através da internet. Com um total de 400 mil usuários no Zuum, a Mastercard pretende elevar a base de clientes mediante acordos com companhias de transporte público.

Um passo nessa estratégia foi dado em junho com a Associação Mato-grossense dos Transportes Urbanos (MTU). Pela parceria, o serviço foi integrado ao sistema de recarga de cartões de ônibus em Cuiabá, o que permite aos clientes carregar créditos usados para pagar as passagens na capital do Mato Grosso. “Esse tipo de acordo, que envolve uma atividade diária das pessoas, pode dar um grande impulso ao uso do celular como meio para transações financeiras”, afirma Maurício Romão, diretor de serviços digitais da Telefônica. “O pagamento virtual é uma tendência, em especial para o público não bancarizado.”

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