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18/07/2015 - O futuro do dinheiro chegou

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IstoÉ Dinheiro | 17 de Julho de 2015

FIM DO DINHEIRO. Essa é uma das promessas mais fantásticas que os especialistas em tecnologia nos fazem, há alguns anos. Segundo essa turma, com a sofisticação dos smartphones, não teríamos mais de carregar cédulas ou cartões de crédito e débito para pagar contas no supermercado, no restaurante ou na padaria. Poderíamos até mesmo ir ao shopping center sem levar a carteira. Bastaria estar com o celular e, no momento de finalizar a compra numa loja, aproximá-lo de um leitor digital. E, então, a conta seria paga em questão de segundos.

Esse admirável mundo novo está finalmente deixando de ser uma promessa para se tornar realidade e o Brasil desponta como um dos países mais bem preparados para protagonizar essa revolução. Depois de um período de maturação do setor, que envolveu a criação de marco regulatório, reformulação de infraestrutura tecnológica e definição de modelo de negócios, o mercado brasileiro construiu as bases para fazer deslanchar o pagamento virtual, ou carteiras digitais, como alguns preferem chamar.

Há dois movimentos que ajudam a entender por que o celular está pronto para se tornar um meio de pagamento usado em larga escala no Brasil. Um deles se dá no plano internacional e tem a ver com a tecnologia. Em outubro de 2013, o Google anunciou que seu sistema operacional Android 4.4 passou a contar com uma nova tecnologia chamada Host Card Emulator (HCE). Isso quer dizer que soluções de pagamento móvel como MasterPass, da MasterCard, e payWave, da Visa, puderam, a partir de então, aceitar transações baseadas na tecnologia Near Field Comummication (NFC) sem a permissão de fabricantes de celular ou operadoras de telefonia. O NFC possibilita a realização de transações por proximidade, sem a necessidade de contato do celular com as maquininhas de cartão de crédito, conhecidas como POS (sigla em inglês para point of sale).

Dessa forma, tornou-se possível às empresas usar suas próprias plataformas para oferecer o pagamento virtual através do NFC. Isso facilitou todo o trabalho dos bancos na ativação de contas móveis. Com a nova tecnologia, os dados do cartão de crédito não ficam mais guardados no celular. "O HCE revolucionou o mercado de pagamento móvel ao representar uma maneira segura de armazenar dados do cartão de crédito na nuvem", afirma Marcelo Sarralha, diretor-executivo de produtos da Visa, a maior bandeira de cartões de crédito do País.

Do ano passado para cá, outras iniciativas internacionais fortaleceram a tendência de uso do smartphone como carteira digital. Uma das mais importantes foi lançada pela Apple, a fabricante do iPhone.

Em outubro de 2014, entrou em operação nos EUA o Apple Pay, sistema de pagamento que funciona por toque. Basta segurar o iPhone perto de um terminal, sem a necessidade de contato, enquanto o usuário mantém um dedo apertando um botão do smartphone. A receptividade da indústria ao Apple Pay foi muito grande. O serviço chegou ao mercado com a adesão de Visa, MasterCard, Amex e mais de 500 bancos nos EUA. Em maio deste ano foi a vez do Google anunciar o seu próprio mecanismo. Semelhante ao sistema da Apple, o AndroidPay foi criado em parceria com Visa e MasterCard, entre outras empresas. Iniciativas como essas ajudam a acelerar o mercado de pagamentos móveis, que deve movimentar mais de US$ 1 trilhão em transações no mundo, até 2017, segundo a consultoria KPMG.

A APPLE E O GOOGLE LANÇARAM SEUS SISTEMAS DE PAGAMENTO, NO ANO PASSADO, COM GRANDE RECEPTIVIDADE DO MERCADO. A EXPECTATIVA É DE QUE OS SERVIÇOS CHEGUEM NESTE ANO AO PAÍS

NOVIDADES NO BRASIL

Ainda não há confirmação sobre a chegada dos produtos de Apple e Google ao Brasil, mas os executivos do setor de meios de pagamento veem isso como tendência para o segundo semestre deste ano. Paralelamente ao que ocorria no mercado internacional, o Brasil também dava passos importantes no setor de transações virtuais. Uma medida fundamental nesse processo foi a regulamentação dos serviços de pagamento móveis, por intermédio da Lei 12.865, de outubro de 2013. "Com a regulamentação, os bancos começaram a pensar em modelos de negócios para essa nova realidade", afirma Raul Moreira, vice-presidente de negócios de varejo do Banco do Brasil (BB). Foi a partir da nova legislação que o banco estatal resolveu apostar para valer em soluções para os dispositivos móveis. Isso preparou o terreno para a criação de um serviço próprio de pagamento virtual. "Reformulamos toda a área de cartões para poder suportar operações desse tipo por celulares", diz Moreira.

A estratégia levou o BB a se tornar a primeira instituição financeira nacional a dar um passo efetivo para transformar o celular num meio de pagamento no País. A partir de especificações da Visa, o banco lançou em março um aplicativo que permite pagar contas por proximidade, por meio das tecnologias NFC e HCE. O novo recurso está disponível para clientes que possuem cartões da linha Ourocard, na bandeira Visa, e usam smartphones com o sistema Android. O BB contabiliza atualmente cerca de 200 mil clientes que já utilizam cartões virtuais.

Para fazer pagamentos móveis, o cliente deve baixar o programa Ourocard-e. O processo funciona da seguinte forma: o atendente da loja informa a opção de pagamento e o valor da compra na máquina. Em seguida, em vez de entregar o cartão de plástico com seus dados ao lojista, o cliente apenas seleciona, no aplicativo, a opção Ourocard virtual e a forma de pagamento. Depois disso, basta aproximar o celular ao POS e digitar a senha do cartão. O pré-requisito é que a maquininha do lojista e o smartphone estejam habilitados ao NFC.

Até recentemente, a habilitação era um problema, mas hoje a situação é diferente. Os terminais adaptados já se espalharam pelo País. Atualmente, por exemplo, 70% de um total de 2 milhões de POS da Cielo, uma das maiores adquirentes locais, estão disponíveis para o NFC. A empresa investiu mais de um R$ 1,5 bilhão na reformulação de seus terminais, nos últimos três anos. "Isso sem falar no investimento em sistemas, software e infraestrutura para suportar o pagamento móvel", afirma Dilson Ribeiro, vice-presidente de produtos e negócios da Cielo.

Da mesma forma, os smartphones habilitados à tecnologia de pagamento por contato começam a se tornar mais comuns no Brasil. Muitos modelos da coreana Samsung, por exemplo, já estão preparados para essa tecnologia.

ALTA RENDA

O Bradesco, por sua vez, mantém projetos-piloto com a tecnologia NFC em smartphones, mas ainda não há previsão de que sejam oferecidos comercialmente. "Esses testes estão sendo feitos com clientes de alta renda, que são mais abertos a inovações desse tipo", afirma Cesario Nakamura, diretor de produtos da Bradesco Cartões.

Em outro campo de atuação, o banco da Cidade de Deus já substituiu praticamente toda a base de cartões dos clientes de alto poder aquisitivo por modelos que funcionam por proximidade. A troca foi feita gradualmente, conforme a necessidade de reposição. Como o novo cartão vem com uma anteninha inserida, seu custo de fabricação é mais elevado. "Isso dificulta um pouco a popularização do cartão sem contato, pois ele é mais oneroso", afirma Nakamura. "Mas, quando houver escala, acreditamos que o custo vá se aproximar do produto tradicional."

Segundo Nakamura, o que facilita a disseminação dos pagamentos móveis é o fato de bandeiras como Visa, MasterCard e Amex terem estabelecido um padrão para a utilização da tecnologia de cartão sem contato. De acordo com João Pedro Paro Neto, presidente da MasterCard Brasil e Cone Sul, a tecnologia que viabiliza os pagamentos virtuais está totalmente disponível no mercado. "Isso já é perfeitamente possível", afirma. "É muito mais uma decisão do comércio de oferecer essa possibilidade ao consumidor." Para ele, haverá diferentes tecnologias para pagamento virtual convivendo no mercado. O NFC, por exemplo, vai ser uma realidade porque já existe parque instalado para isso no Brasil."O que vai acontecer agora é esse tipo de inovação ganhar velocidade", diz. "Quando um emissor lança um produto com a nova tecno log ia, logo vêm os outros e apresentam inovações também. Estamos exatamente nessa fase."

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