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18/06/2015 - BB e empresa pública selam parceria para desenvolver chip de cartões nacional

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Por Felipe Marques | De São Paulo | Valor Econômico

O Banco do Brasil (BB) anunciou ontem duas parcerias para avançar em aspectos tecnológicos de sua operação de cartões. Com a Ceitec, empresa pública vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, o banco público vai desenvolver um chip de cartões nacional, o que promete trazer redução de custos e novos produtos. Já com o Bradesco, o BB assinou um acordo para desenvolver um padrão único para compras com cartão digital.

Atualmente, os chips usados em cartões são fornecidos por empresas estrangeiras, como Samsumg e Infineon. O banco público espera que a aliança barateie a tecnologia e abra espaço para novos produtos em meios de pagamento, disse Raul Moreira, vice-presidente de negócios de varejo do BB.

"Hoje, quando quero fazer um produto sob medida, eu dependo de um desenvolvimento feito por uma empresa estrangeira. Nossa parceria vai agilizar esse tipo de desenvolvimento". A expectativa é ter o plano de negócios em até seis meses.

A ideia do BB é que o chip nacional seja usado também nas coligadas do banco, incluindo a bandeira de cartões Elo e a Alelo, emissor de cartões de vale-alimentação e refeição.

O BB emite entre dois a quatro milhões de cartões com chip por ano e gasta entre R$ 3 a R$ 10 por unidade para colocar o meio de pagamento na mão dos clientes.

"Para empresas de chip, há uma oportunidade grande para atuar em nichos, como o financeiro", diz Marcelo Libaszewski, presidente da Ceitec. Hoje, entre outras coisas, a Ceitec produz chips que serão incluídos em passaportes.

Na lista de iniciativas que podem ser viabilizadas está reunir, em um só cartão, não só funcionalidades de crédito e débito, mas também pré-pagos, como os vale-alimentação e refeição (voucher).

Já no acordo de cooperação técnica com o Bradesco, a ideia é permitir que as compras em que o celular substitui o cartão (como a tecnologia do ApplePay) sejam feitas de forma segura, por meio de uma tecnologia que consiste em substituir os dados do cartão do consumidor por uma versão criptografada das informações, reduzindo a possibilidade de fraude.

"Se cada emissor e cada bandeira desenvolvesse um padrão, os custos de adaptação seriam mais altos", disse Moreira. Segundo ele, a ideia é atrair outras empresas do setor para ampliar o escopo desse padrão.

Para Alexandre Rappaport, diretor de cartões do Bradesco, tal discussão deve ganhar fôlego ao longo do ano que vem, conforme crescer o uso de transações com cartões virtuais em meio ao avanço dos projetos de pagamento por aproximação usando o celular.

O anúncio é o passo mais recente da aliança dos dois bancos em cartões. Juntos, já são sócios na bandeira Elo, na carteira digital Stelo, no programa de fidelidade Livelo e no emissor de cartões pré-pagos Alelo.

Os planos das instituições de avançar nas tecnologias de pagamentos combinam com o desafio de diminuir o uso de dinheiro vivo nas transações comerciais no país.

A Febraban e a Abecs, associação do setor de cartões, têm trabalhado em um conjunto de propostas para tentar diminuir o uso de papel-moeda no Brasil.

Segundo Moreira, estuda-se inclusive alternativas de mudança na legislação brasileira. Uma opção seria criar incentivos legais para pagamentos eletrônicos, a exemplo do que se vê na Coreia do Sul.

O executivo afirmou que os estudos serão apresentados ao regulador, mas não deu uma data para que isso ocorra. Segundo Moreira, são sacados anualmente cerca de R$ 1 trilhão em caixas eletrônico "Há um custo logístico no transporte desse dinheiro todo que onera o sistema financeiro e os consumidores", afirma Leandro Vilain, diretor de políticas de negócios e operações da Febraban.

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