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08/04/2015 - A nova onda da CSU

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Natália Flach | IstoÉ Dinheiro

Em um dos extensos corredores da empresa de tecnologia CXU, em Alphaville, região metropolitana de São Paulo, há uma pequena sala de leitura com três estantes, que deixam, em evidência desde enciclopédias a romances policiais. “Meu objetivo é montar uma biblioteca de verdade”, afirma Marcos Ribeiro Leite, presidente da companhia. “As pessoas precisam de um espaço para se desligarem do mundo virtual.” É que, nos últimos dois anos, Leite e os 4.500 funcionários da CSU tiveram pouco tempo para se desconectar. Fundada como processadora de cartões, em 1992, a empresa teve de se reinventar para sobreviver, dando mais atenção a áreas periféricas que estavam diretamente ligadas ao negócio. É o caso da unidade de telemarketing, chamada de CSU Contact, que representa atualmente 48% do faturamento e 14% do Ebtida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização). Os outros 52% vêm das unidades de meios eletrônicos de pagamento (CardSystem), adquirência (Acquire) e de soluções de marketing direto e digital (MarketSystem).

O cenário desafiador se agravou, no fim de 2012, com a saída do HSBC da lista de clientes. Houve impacto direto sobre os números do balanço do ano seguinte, quando o lucro líquido despencou para apenas R$179 mil. “Adequamos os negócios com ajustes de gestão e expandimos unidades como a MarketSystem, que teve um crescimento de 60% em seus volumes”, diz. A mudança foi suficiente para que o lucro líquido saltasse, em 2014, para R$11,2 milhões, e a receita bruta aumentasse 12,8%, para R$431,1 milhões. A expetativa, segundo fontes do mercado, é que a empresa cresça dois dígitos em 2015.

Por trás do otimismo, está o acordo firmado com o banco BMG, que vai migrar os seus 1,1 milhão de cartões para a plataforma de processamento da CSU. Deste total, 500 mil já foram repassados e o restante deverá ser transferido até maio. Esse volume vai ampliar ainda mais a base de cartões ativos, que cresceu 10,6% de outubro de 2013 até o mesmo de 2014. No momento, a CSU conversa com três possíveis clientes interessados em migrar os seus cartões para a sua base. A expectativa é que uma dessas parcerias seja anunciada já nos próximos meses. “Apesar dos novos contratos, a margem Ebitda não voltou à casa dos 30%, comum na época do HSBC”, diz Samuel Torres, analista da Fator Corretora. “A perspectiva de crescimento para o setor de cartões é baixa.”

Porém, esse não é o maior risco enfrentado pela companhia. Para Felipe Silveira, analista da Coinvalores, o pior cenário é não conseguir entregar os resultados almejados, apesar dos investimentos nas novas unidades de negócios. Uma das áreas que mais recebeu atenção nos últimos meses foi a MarketSystem, que engloba a plataforma Opte+, um marketplace que liga varejistas a clientes de empresas. A CSU presta esse serviço, por exemplo, para a Porto Seguro. Funciona assim: todas as vezes que um consumidor usa o cartão fidelidade da seguradora, acumula pontos que podem ser trocados em seu site por eletrodomésticos. Isso só é possível graças à CSU.

Para Celso Sato, presidente da empresa de tecnologia em pagamentos Accesstage, há uma tendência mundial de as processadoras de cartões passarem a agregar valor aos clientes. “Uma das formas é o segmento de fidelização, que cresce de forma exponencial, porque os brasileiros estão aprendendo a usar os benefícios a seu favor”, diz. De fato, o modelo de negócios do Opte+ se mostrou tão promissor que a CSU decidiu se conectar diretamente com o usuário de internet. Para isso, criou um portal no qual consumidores podem fazer compras com o seu cartão de crédito e, assim, acumulam pontos a serem trocados por produtos. Segundo Leite, a CSU estuda uma parceria com um banco para criar um cartão de crédito próprio. “Eles seriam o emissor e nós, os processadores das transações”, afirma Leite. Para Silveira, da Coinvalores, o projeto ainda possui pouca importância no faturamento global. Já Torres, da Fator, diz que, se por um lado, a CSU não precisa investir em estoques, por outro, tem o desafio de tornar a marca conhecida. Mesmo assim, os prognósticos são positivos – ao menos, para as ações, negociadas a menos de R$3. A Coinvalores projeta R$4,50, em 12 meses, e a Fator, R$4,70.

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