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30/01/2015 - Competição agressiva leva Cielo a cortar gastos

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Por Felipe Marques | De São Paulo | Valor Econômico

Os três últimos meses de 2014 deram uma boa mostra do que espera a credenciadora de cartões Cielo em 2015. A rival Rede (ex-Redecard), controlada pelo Itaú Unibanco, finalmente mostrou as garras e partiu para um concorrência mais agressiva, conseguindo tomar parte do mercado de cartões da rival. Não bastasse a concorrência no pescoço, a Cielo - e a indústria de pagamentos eletrônicos como um todo - sentiu o baque da desaceleração da economia, o que resultou em um crescimento abaixo do previsto.

Já que essa combinação de maior concorrência com mercado de cartões crescendo menos parece que não vai sumir tão cedo, coube então à Cielo adotar um novo discurso para acalmar acionistas: o da eficiência. Depois de uma sucessão de aquisições, joint venture e novos negócios que a Cielo firmou nos últimos anos, a ordem agora é olhar para dentro da companhia em busca de gastos para cortar.

"O ambiente mais complexo de preços no setor e a desaceleração da economia nos farão olhar melhor para os gastos", afirmou o presidente da credenciadora, Rômulo de Mello Dias, em apresentação a analistas. A companhia se comprometeu a entregar em 2015 uma meta de gasto por transação da Cielo Brasil (que exclui as subsidiárias da companhia) entre R$ 0,49 e R$ 0,51. Em 2014, o gasto foi de R$ 0,54. Já para as subsidiárias, prometeu que os gastos vão crescer "ligeiramente" abaixo da receita.

O discurso parece ter convencido investidores. As ações da credenciadora encerraram o pregão em alta de 2,83%, a R$ 40,22, enquanto o Ibovespa subiu 0,14%.

A promessa de mais eficiência veio em boa hora, justamente quando o cenário da indústria de cartões começa a ficar menos favorável para a líder do setor. A Cielo espera que o volume financeiro de transações que captura cresça no ano que vem abaixo do mercado como um todo. A expectativa da companhia é que o mercado avance entre 11% a 13%. Em 2014, segundo cálculos da Cielo, o mercado cresceu 15,7%. A credenciadora avançou 15,3%.

Para 2015, a Cielo espera um crescimento entre 13% a 15% nas compras com cartão de débito e de 9% a 11% no crédito.
A companhia também trabalha com um cenário de quedas nas taxas de desconto cobradas de lojistas (MDR, na sigla em inglês) ao longo deste ano, graças ao avanço da competição. "Aumentar preços em um cenário competitivo como o de hoje é altamente desafiador, para não dizer impossível", disse Dias. O executivo citou especificamente a Rede, que segundo ele ficou mais agressiva na segunda metade do ano, tanto em lojistas de pequeno como de grande portes.

O resultado dessa briga foi que a Cielo estima ter perdido participação de mercado para a rival no quarto trimestre, depois de ter se defendido nos três trimestres anteriores. O volume financeiro de compras com cartão capturadas pela companhia entre outubro e dezembro foi de R$ 143,9 bilhões, cifra 9,3% superior à de igual trimestre de 2013. Porém, segundo Dias, no mesmo período o mercado como um todo cresceu 13%. "Isso acarretará uma perda de market share da Cielo", disse Dias.

A busca por eficiência da Cielo é de longo prazo. "Após 2017, não vamos ter o mesmo gasto unitário nesta faixa de 2015. Perseguiremos um número menor", acrescentou Dias. A data coincide com a entrega da fase final da nova plataforma tecnológica da Cielo, desenvolvida a partir da aquisição da empresa americana Merchant e-Solutions, em 2012. A primeira fase desse projeto será entregue até o fim do ano, disse.

A credenciadora teve lucro líquido de R$ 803 milhões no quarto trimestre, com alta de 11,4% sobre o mesmo período de 2014, resultado que ficou abaixo da expectativa de analistas ouvidos pelo Valor.

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