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08/08/2014 - Mercado de cartões perde fôlego no 2º trimestre

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Por Felipe Marques | De São Paulo | Valor Econômico

O mercado de cartões desacelerou no segundo trimestre, para a menor taxa de crescimento desde o fim de 2010, pelo menos. O volume financeiro de compras com o meio eletrônico de pagamento totalizou R$ 223,15 bilhões entre abril e junho, com avanço de 16,03% ante igual período de 2013. No primeiro trimestre, o crescimento havia sido de 18,9%.

A cifra foi calculada pelo Valor com dados divulgados pelas três maiores credenciadoras de cartões do mercado, Cielo, Rede (ex-Redecard) e Santander. Juntas, as três representam a maioria absoluta das transações com cartão capturadas em lojistas. Descontada a inflação do período, a taxa de crescimento no segundo trimestre cai para 8,9%, ante 11,8% no primeiro trimestre. No primeiro trimestre de 2013, segundo menor avanço da série, o crescimento foi de 9,39%. Os dados foram deflacionados pelo Valor Data.

Em um momento em que se fala de um avanço do PIB inferior a 1%, a expansão da indústria de cartões está longe de ser motivo de lamentação. Contudo, o percentual acabou sendo menor do que estimavam analistas para o trimestre. O Credit Suisse, por exemplo, chegou a projetar que um efeito positivo das transações na Copa do Mundo levaria a um avanço de quase 20% no período.

O Mundial foi um dos fatores que explicaram a desaceleração, afirmam analistas do BTG Pactual. Vale lembrar que a própria Cielo previu que o torneio pudesse reduzir em R$ 1 bilhão o volume financeiro de cartões que normalmente é capturado no período. Para o BTG, outras razões incluem a forte base de comparação do ano passado e o crescimento de credenciadoras fora das três maiores - grupo que inclui a Vero, do Banrisul, e a Elavon, parceira do Citi.



No segundo trimestre, considerando apenas as compras com cartão de crédito, o volume financeiro foi de R$ 139,5 bilhões, com avanço de 13,03% na comparação anual. Já nos cartões de débito, o valor movimentado foi de R$ 83,66 bilhões, com avanço de 21,4%.

O crescimento das transações de débito ajudam a explicar por que a Cielo, líder histórica desse segmento, tornou a ganhar participação sobre os concorrentes no segundo trimestre. A credenciadora tem a exclusividade para capturar dois produtos que têm sido grandes responsáveis por aumentar o volume de cartões de débito. O primeiro são os cartões da bandeira Elo, emitida por Bradesco, Banco do Brasil (BB) e Caixa, que tem mais de 80% das transações em débito. O Outro é o Agrocard, um cartão do BB voltado para o agronegócio, considerado como débito. Bradesco e BB também são controladores da Cielo.

A Cielo capturou, no segundo trimestre, uma fatia de 56,2% do total de compras com cartão no período, considerando cartões de débito e de crédito. No primeiro trimestre, a Cielo respondia por 55,9%. A Rede, controlada por Itaú Unibanco, encerrou o trimestre com 37,8% do mercado, ante 38,2% nos primeiros três meses do ano. O Santander registrou fatia de 6%, ante 5,8% no trimestre imediatamente anterior.

Apenas em compras de débito, a participação de mercado da Cielo no segundo trimestre foi de 59%, ante 57,7% no primeiro trimestre. Rede tem 35,2% do mercado de débito e Santander, 5,8%. No primeiro trimestre tinham 38,2% e 5,8%, respectivamente.

Só o volume financeiro do Agrocard cresceu 134,8% no segundo trimestre, ante igual período de 2013, para R$ 5,5 bilhões. Isso representa cerca de 4,4% do volume total de transações que a Cielo captura. A bandeira Elo, que não divulga volumes oficiais, representa entre 6% a 8% do total de compras de cartão que a Cielo captura, segundo cálculos de analistas, e cresce em velocidade acelerada.

Na Rede, a exclusividade que tem de capturar as marcas de cartão de crédito Hiper e Hipercard não se traduz em ganho de fatia de mercado. Em crédito, a Cielo encerrou o segundo trimestre com 54,5% de participação, ante 54,9% no trimestre imediatamente anterior. A Rede ficou estável em 39,3% na mesma comparação e o Santander saiu de 5,8% para 6,2% no segundo trimestre.

A Hiper é uma bandeira de cartões de crédito lançada pelo Itaú em 2013, e não atua em débito. O banco não divulga números da Hiper e Hipercard, mas, segundo dados obtidos pelo Valor, as marcas representam cerca de 2,8% do mercado. O banco tenta agora levá-la às suas parcerias com o varejo.

Em teleconferência com analistas, o presidente da Cielo, Rômulo de Mello Dias, disse que a abertura dos produtos exclusivos é "inexorável", e vai ocorrer até o começo de 2015. O executivo afirmou que, em termos de resultados, o impacto da abertura será pequeno para a Cielo. A razão é o fato de o cartão de débito - o Agrocard, em particular - ter uma rentabilidade menor para a credenciadora que produtos de crédito. "O volume de débito cresce, mas a receita, que é o que importa para o acionista, não cresce na mesma proporção."

Há uma série de dúvidas sobre o formato dessa abertura. O Valor apurou que falta fechar o modelo em que o processo vai se dar - como vai ser remuneração de quem captura a transação - e qual será o seu alcance - se vai, por exemplo, envolver as novas empresas que entraram no setor em 2012.

Além da Elo e do Agrocard, a Cielo tem exclusividade para capturar a bandeira de luxo American Express (Amex) e os vale-alimentação e refeição (voucher) da Alelo, assim como a Rede tem com os vouchers da Ticket. Nenhuma dessas marcas é contabilizada na fatia de mercado das empresas.

No acumulado do semestre, a indústria de cartões movimentou R$ 436,88 bilhões, com avanço de 17,31% na comparação anual. A projeção está em linha com o que espera a Abecs, associação do setor de cartões, para o ano (17,1%).

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