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31/07/2014 - Despesa em alta ofusca resultado da Cielo

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Por Felipe Marques | De São Paulo | Valor Econômico

Os resultados do segundo trimestre da Cielo - e, aparentemente os que virão até o fim do ano - deixam claro que 2014 é o ano em que a credenciadora de cartões vai tentar acelerar os projetos que prepara para proteger sua liderança no futuro. A estratégia, porém, promete pesar nos gastos da companhia agora, com as despesas crescendo em ritmo superior ao das receitas.

O crescimento das despesas, junto com preocupações sobre os efeitos do fim de acordos de exclusividade para capturar certos produtos, ofuscou os resultados da credenciadora. As ações fecharam ontem como a maior queda do Ibovespa. Os papéis da Cielo caíram 4,74%, para R$ 42,15.

Entre abril e junho, os gastos da companhia cresceram 16,9%, para R$ 989 milhões, na comparação com igual intervalo de 2013. Já a receita operacional líquida cresceu 13,6%, para R$ 1,8 bilhão. "Nesse sentido, acreditamos que cortes de custos podem ser um importante fator de expansão de resultados nos próximos meses", afirmam analistas do BTG Pactual, em relatório.

Em teleconferência sobre os resultados, o presidente da Cielo, Rômulo de Mello Dias, disse que os gastos vão crescer ainda mais neste ano. A razão é o investimento no que a companhia chama de "projetos estruturantes", que são aqueles que prometem diferenciar a credenciadora dos rivais no futuro. Na conta, entram desde os gastos para desenvolvimento tecnológico como também a contratação de consultorias e de novos funcionários. Alguns desses gastos, afirmou Dias, não se repetirão em 2015.

A Cielo ainda vai gastar com a integração com a Merchant e-Solutions, a empresa americana de pagamentos adquirida em 2012 - e que vai servir de base para a nova plataforma tecnológica da Cielo. "Esse é um projeto que deve consumir gastos e investimentos até 2016", disse Clovis Poggetti Jr., vice-presidente de finanças.

Segundo Poggetti, ainda que os gastos cresçam, devem fechar o ano próximos ao piso da projeção que a companhia fez. No primeiro trimestre, a Cielo aumentou a previsão de gastos em 2014 para uma faixa entre R$ 0,75 e R$ 0,78 por transação (ante projeção anterior de R$ 0,72 a R$ 0,75). No segundo trimestre, o gasto foi de R$ 0,73.

Vale lembrar que investir no futuro tem seus riscos. Há um ano, a Cielo registrou uma perda contábil de R$ 30,5 milhões referente ao ágio da aquisição da Paggo (antiga Oi Paggo), empresa voltada ao desenvolvimento de tecnologia para aceitação de pagamentos via celular, comprada em 2010. Na ocasião, a companhia afirmou que, uma vez que a aposta no pagamento via celular demoraria mais que o esperado para trazer frutos, a Cielo decidiu reconhecer a baixa.

Analistas também questionaram outro ponto no horizonte próximo da companhia: o fim da exclusividade que detém para capturar Elo, American Express, Alelo e o cartão Agrocard, para produtores rurais. Dias afirmou que a abertura desses produtos é "inexorável" e vai ocorrer, no mais tardar, no começo do ano que vem. Esse processo também afeta a rival Rede que vai deixar de ser a única a credenciar os cartões Hiper e Ticket.

Na teleconferência, Dias disse que, em termos de resultados, o impacto da abertura será pequeno para a Cielo. A Elo, que das marcas exclusivas é a que cresce com mais velocidade, tem cerca de 80% a 90% de suas transações no débito, incluindo transações do Agrocard. "O volume de débito cresce, mas a receita, que é o que importa para o acionista, não cresce na mesma proporção", disse.

"Na segunda metade do ano, os acordos de exclusividade de captura de bandeiras que ainda existem devem ser revistos e a Elo deve ser uma preocupação - contando que representa entre 6% a 8% do volume da companhia", escrevem analistas do Credit Suisse.

Os números do trimestre mostraram também que, embora a Cielo seja frequentemente apontada por analistas como uma opção "defensiva" de investimento, a credenciadora não está imune às variações da economia. Segundo Dias, a menor confiança dos consumidores causa a substituição de compras parceladas por transações de débito e crédito pagas de uma só vez. Como as compras parceladas são mais rentáveis para a Cielo, uma vez que nelas o lojista paga uma taxa maior, essa mudança de mix diminuiu o ganho por transação da credenciadora.

"O que mudou no trimestre foi o mix de transações e não o preço", afirmou Dias. Ele reforçou que a companhia não reduziu as taxas cobradas dos lojistas em 2014 e que a concorrência ficou "um pouco" mais forte no trimestre.

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