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22/10/2013 - Redecard vira Rede e sai em busca de espaço perdido

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Por Felipe Marques | De São Paulo | Valor Econômico

O Itaú Unibanco relança hoje a sua credenciadora de cartões, a Redecard, que passará a se chamar apenas Rede. A repaginada marca chega com novos produtos, entre eles um que permitirá a captura de cartões no comércio via celular, sem uma máquina POS (Point of Sale, na sigla em inglês). A mudança mostra o esforço do banco em reverter um quadro que vem se repetindo desde o fechamento de capital da companhia, pouco mais de um ano atrás: a perda de mercado para os principais concorrentes, a Cielo - controlada por Bradesco e Banco do Brasil - e o Santander.
 
A nova marca será escrita em amarelo, com fundo laranja, seguindo o esquema de cores adotado pelo banco. O anúncio será feito em São Paulo, pela manhã. Procurado, o Itaú Unibanco não confirmou a informação.
 
Em 2012, o Itaú desembolsou R$ 10,46 bilhões para tirar a Redecard da Bovespa, com a promessa de uma maior integração entre os serviços que a empresa presta e produtos bancários, como empréstimos. De lá para cá, porém, a participação de mercado da credenciadora, de 41,5% em dezembro de 2012, encolheu para 40% em junho deste ano.
 
Isso ocorreu mesmo depois de, no terceiro trimestre de 2012, a Redecard levar da Cielo contas de grandes empresas, que equivaliam a um volume anual de R$ 12 bilhões. Passado esse episódio, porém, a credenciadora voltou a ser menos agressiva.
 
O problema de perda de mercado da Redecard, porém, vai além dos primeiros seis meses do ano. Nos trimestres imediatamente posteriores à abertura do mercado de cartões (em julho de 2010), quando a Redecard passou a capturar também cartões com a bandeira Visa, a credenciadora avançou com força sobre a rival Cielo. No fim de 2010, chegou a ter quase 45% do mercado.
 
O que aconteceu depois é que a Cielo respondeu às investidas da rival e retomou parte do terreno. Enquanto isso, um novo participante desse mercado, o Santander, começou a ganhar espaço, ainda que em velocidade inferior à planejada inicialmente, e espera fechar o ano com 7% de participação, ante os 5% atuais.
 
"Nós chamamos atenção para a existência de uma sobreposição entre as agências do Itaú e do Santander nas regiões mais ricas do país (Sudeste e Sul). Isso pode ajudar a explicar por que a Cielo conseguiu recuperar parte do 'market share' perdido entre a segunda metade de 2010 e o primeiro semestre de 2011, enquanto no mesmo período o Santander crescia rapidamente - às custas da Redecard", escrevem os analistas Victor Schabbel, Marcelo Telles, Daniel Sasson e Alonso Garcia, do Credit Suisse, em relatório.
 
A agência bancária é, no Brasil, o principal canal de distribuição das credenciadoras de cartões. No Santander, por exemplo, responde por mais de 90% das vendas, enquanto na Redecard e na Cielo esse percentual fica próximo da metade.
 
Além da sobreposição de agências, o Santander inaugurou o modelo agora adotado por Itaú/Redecard, de combinar o credenciamento e produtos bancários. A Rede, porém, vai abrir uma nova frente de embate entre os dois: os pequenos lojistas. O Itaú vai lançar o Mobile Rede, um leitor de cartões que é acoplado no celular e o transforma em um POS.
 
No dispositivo, a taxa de desconto para transações de crédito à vista será de 3,99%, e, para parcelado, em até 3 vezes sem juros, será de 6,99%. O banco não cobrará mensalidade, só a aquisição do leitor.
 
Em agosto, o Santander, em parceria com a empresa sueca iZettle, lançou aparelho similar. O banco espanhol trouxe a tecnologia mirando o pequeno comércio, em que o custo mensal do aluguel de um POS convencional (perto de R$ 65, em média) é proibitivo. O Santander cobra taxa de desconto de 5,75% por transação dos lojistas, mas não permite parcelamento.
 
A Rede é uma nova etapa no processo de reestruturação que o Itaú tem conduzido na área de cartões nos últimos anos. No começo do mês, o banco lançou a bandeira nacional de cartões de crédito Hiper, baseada na tecnologia da Hipercard (cartão que é o símbolo da parceria com o Walmart). Após o fechamento de capital da Redecard, a credenciadora, juntamente com o resto da área de cartões, passou a ser comandada por Milton Maluhy, vindo do Itaú BBA.

 

No segundo trimestre, a Redecard capturou R$ 50,1 bilhões em cartão de crédito, alta de 15% ante igual período de 2011, e de R$ 26,3 bilhões no débito, crescimento de 26% na mesma comparação.

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