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13/11/2013 - Coreanos abusam dos cartões de crédito

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Por Christina Larson | Bloomberg Businessweek

Ao longo de duas décadas, a Coreia do Sul deixou de ser um país de poupadores para se transformar em uma nação de gastadores e tomadores de empréstimos. O país tem hoje o maior número de cartões de crédito per capita do mundo, segundo estatísticas do Banco da Coreia, superando em cinco vezes o número de habitantes.

Young-Sik Jeong, pesquisador do Samsung Economic Research Institute em Seul, constatou que em 1990 os coreanos pouparam em média 22,2% dos rendimentos familiares líquidos. Em 2012, este número caiu para 3,4%. E a relação do endividamento das famílias sobre a renda disponível em 2012 foi de 160 pontos - mais do que nos Estados Unidos em 2007, antes do estouro da bolha imobiliária.

Embora Seul seja o lar do "Gangnam Style", referência ao bairro chique parodiado pelo cantor pop Psy, e meca das cirurgias plásticas na Ásia, o aumento do consumismo desenfreado não explica totalmente como os hábitos de consumo dos coreanos mudaram.

Jeong estima que os financiamentos imobiliários respondem por cerca de dois terços das dívidas das famílias coreanas, e os custos elevados das moradias significam que os empréstimos são surpreendentemente altos. Dados colhidos pelo McKinsey Global Institute mostram que o preço médio das moradias na Coreia do Sul é 7,7 vezes maior que a renda média; nos EUA, esta relação é de 3,5 vezes. Enquanto isso, a tomada de empréstimos para despesas relacionadas à educação também respondem por uma parcela significativa do endividamento das famílias.

"A questão não é só acompanhar os ricos. É não ficar para trás. É um motivo real de perturbação em uma sociedade que está mudando rapidamente", diz Tom Coyner, da consultoria Soft Landing Consulting de Seul. "A economia coreana funciona com base no princípio da alavancagem excessiva. Vista de fora, ela parece um gigantesco esquema Ponzi, que é administrável enquanto a economia continuar crescendo. Se você não está muito alavancado, fica com um medo enorme de ser deixado para trás."

O "boom" do endividamento é possível porque há muito crédito disponível. "Na década de 1990 era muito difícil as famílias contraírem empréstimos", diz Jeong. "As instituições financeiras preferiam emprestar dinheiro para o setor corporativo." Hoje as famílias têm uma facilidade muito maior para conseguir empréstimos bancários e múltiplos cartões de crédito. "Há cerca de uma década, quando ficou mais fácil conseguir cartões de crédito, era possível ver as pessoas nas calçadas preenchendo formulários para a obtenção de cartões de crédito. E as pessoas começaram a usá-los com a responsabilidade de um calouro universitário."

A desaceleração da economia coreana nas duas últimas décadas tornou mais difícil para as famílias de classe média poupar dinheiro. Na metade da década de 1990, antes da crise financeira asiática de 1997, o crescimento real da renda ficou em torno de 6% a 7%. Depois de alguns anos difíceis, o crescimento da renda recuperou-se para um patamar próximo no começo dos anos 2000. Mas em três dos últimos cinco anos o crescimento da renda foi negativo. E o desemprego vem aumentando.

"A geração mais jovem está tendo muita dificuldade para conseguir bons empregos", diz Sarah Kim, jornalista do "JoongAng Daily", de Seul. "A escola e o trabalho são hoje muito competitivos porque há menos segurança no trabalho e nem todos conseguem boas colocações." E quais são as implicações globais da nova cultura do endividamento da Coreia? "É uma preocupação que no momento não é muito grande", diz Coyner. "Mas isso poderá se mostrar um ponto bem fraco das fundações do país na eventualidade de mais um trauma financeiro global."

 

Fonte: Valor Econômico

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