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14/04/2014 - Santander compra GetNet por R$ 1,1 bi

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Por Carolina Mandl e Fabiana Lopes | De São Paulo

 

Quatro anos depois de vender sua participação na Cielo, o Santander vai assumir o controle da GetNet por R$ 1,104 bilhão com o objetivo de construir um negócio próprio de credenciamento de lojistas para a captura de transações com cartões de crédito e débito.

Com a transação, o banco quer ter mais competitividade na concorrência com gigantes da área, como Cielo e Rede (ex-Redecard), na disputa pela preferência principalmente de grandes redes de varejo.

Hoje Santander e GetNet são sócios - cada um com 50% de participação - de uma empresa de captura de pagamento eletrônico no varejo. Na prática, porém, os negócios não são tão integrados.

A GetNet fica responsável pela parte tecnológica do credenciamento, que inclui as máquinas POS (Points of Sales, na sigla em inglês), o processamento das transações e a manutenção. Já o Santander atua com as operações bancárias do negócio, como a antecipação de recebíveis aos lojistas.

Esse desenho é especialmente complicado para o avanço do Santander entre as grandes varejistas, clientes bastante importantes para se ganhar escala. O contrato atual prevê, por exemplo, um alto desembolso do Santander à GetNet quanto maior for o número de máquinas POS por cliente. "Esse custo ficou impraticável e limitou o ganho de participação de mercado", diz Carlos Daltozo, analista da BB Investimentos. Juntos, Santander e GetNet têm 6% do total de transações com cartões no país, sendo que a meta do banco era encerrar 2013 com 10%.

Quando a transação anunciada ontem for concluída, esse entrave ficará para trás, já que Santander deterá 88,5% da GetNet inteira. O principal sócio da GetNet, o empresário Ernesto Correa da Silva, assim como os demais sócios da empresa, passarão a deter uma participação de 11,5% na nova estrutura.

Em conversa com analistas, o Santander estimou que terá um lucro de R$ 95 milhões com a nova GetNet nos 12 meses posteriores à conclusão da operação. "Isso vai capacitar o Santander a ter uma operação completa de aquisição e processamento de cartões no Brasil", afirmam os analistas do Brasil Plural. Ontem as units do Santander encerraram o dia com alta de 3,65%, cotadas a R$ 13,06, enquanto o Ibovespa avançou 2,1%.

Alguns analistas se questionavam, porém, se o Santander fez um bom negócio - pelo menos por ora - ao sair da Cielo em 2010. Decidido a seguir carreira solo, o banco vendeu por R$ 1,4 bilhão a fatia de 7,2% que tinha na Cielo para Bradesco e Banco do Brasil. Desde então, os papéis da Cielo acumularam alta de 207,7%, sem contar dividendos. O desempenho do papel levanta dúvidas se o Santander conseguiu obter a mesma lucratividade com a GetNet até aqui.

Com a GetNet, a partir de agora, o banco vai abocanhar serviços que vão além da atual parceria para o credenciamento. "Vamos ter mais flexibilidade na gestão e ainda faremos a oferta de outros produtos para os clientes", diz Pedro Coutinho, vice-presidente de desenvolvimento de novos negócios do Santander.

No rol de novos serviços ofertados pelo Santander a partir da compra da GetNet estão o desenvolvimento de softwares de gestão financeira, a venda de créditos pré-pagos de telefonia e de transporte público e a montagem de infraestrutura para correspondentes bancários.

Com o portfólio ampliado para oferecer à clientela, o Santander espera ter mais facilidade para conquistar os varejistas. Hoje, por exemplo, o Magazine Luiza usa os serviços de recarga de celular da GetNet, mas não a adquirência do Santander.

É inegável, porém, que seria difícil para a GetNet separar os negócios que têm, o que pode ter pesado para o Santander assumir os diversos braços da empresa gaúcha. A recarga de celular, por exemplo, é feita via POS.

Em meio à aquisição, o Santander também trouxe para o controle da GetNet a parceria que tem no Brasil com a empresa sueca de pagamentos móveis iZettle. Fabricante de um leitor de cartões que pode ser acoplado ao celular, sem a necessidade de um POS, a iZettle pode levar o Santander a ganhar espaço entre pequenos comércios. (Colaborou Felipe Marques)

 

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